A Vaquinha agora descansa!
Jorge Linhaça, reuniu animadoramente nesta ciranda,
a imaginação descontraída de vários poetas.
Mimosa, malhada, louca, mimada...ela animou este cantinho
Agradecemos a participação de todos
e dedicamos um selinho de participação como brinde.
A VAQUINHA agradece também pelo carinho.



clique no selinho para download.zip:

Um beijinho de carinho a todos.

Anna Müller

 

 

Participantes

 

01- Jorge Linhaça 11- ©Victoria Lucia Aristizabal©
02- Lêda Mello 12- Avany Morais
03- Luis Poeta 13- Marília Mattos
04- Bernardino matos 14- Isabel Andrade
05- Michèle Christine 15- Sandra Mamede
06- Zealberto 16- Mário Osny Rosa
07- Tere Penhabe 17- Lúcio Reis
08- Armando Sousa 18- Ana Maria Marya
09- Diógenes Pereira de Araújo 19- Antonio Cícero da Silva
10- Pilar Casagrande 20- Malu Otero
 
21- Sá de Freitas 24- Hilma Ranauro
22- Mifori 25- Cássia Vicente
23- Angela Maura 26- Vuch@
27- Artemisia Freitas 28- SussuLuz*
29- Sandra Mamede 30- Clevane Pessoa
31- @liosh@**/CIG@N@**

 

 

 

Poemas

 

01- A VAQUINHA MALHADA
Jorge Linhaça

Lá vem a vaquinha malhada,
vem mascando o seu chiclete,
como sempre bem lhe apetece,
feito de folhas bem mascadas,
vem rebolando pela estrada
a nossa malhada é de estimação
nos dá o leite e queijo pro pão,
nos dá manteiga e a coalhada,
é uma vaca bem da prendada
que mora em nosso coração

Malhada fica toda contente,
de andar solta pelo terreiro,
passeia assim o dia inteiro
fica bem pertinho da gente
com seu olhar tão sorridente
que parece até modelo famosa
na passarela assim toda prosa,
malhada, nossa companheira,
És de todas a mais faceira,
bovina amiga, assim majestosa.


02- A VAQUINHA MIMOSA
Lêda Mello

Você falou na Malhada,
lembrei da minha Mimosa,
vaquinha mansa, a danada,
chegava, até, ser dengosa.

Eu preparava a ração
com farelo e mel de engenho.
Comia na minha mão,
lambia o prato com empenho.

Se me via na porteira,
vinha receber agrado,
chegava toda faceira
e esperava do meu lado.

Eu coçava o lombo dela,
dava dengo e conversava.
Até parece que ela
entendia o que eu falava...!

Depois ia pra ordenha.
As peias, nem precisava!
Como se fosse uma senha,
com leite farto brindava.

Amizade de criança,
doce tempo cor-de-rosa!
Guardei na minha lembrança
a figura da Mimosa.

Arapiraca (AL) - Brasil, 04.01.2007


03- O MEU TOURINHO GENARO
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Gilberto de Barros
Às 8 h e 11 min do dia 5 de janeiro de 2007 do Rio de Janeiro,
especialmente para o bucólico lirismo de Jorge Linhaça e Leda Yara

O Genaro, meu tourinho,
Tem um tal de feromônio
Que faz com que o bichinho
Precise de um manicômio
Quando vê uma vaquinha...

Imagine a Mimosinha
Pastando aqui na fazenda...
Ele pega a pobrezinha,
Leva pra trás da moenda...
E diz que a ama demais...

Você já sabe, ele faz
Com ela, um bezerrinho,
E então, sem olhar pra trás,
Vai seguindo outro caminho:
O da vaquinha Malhada,,,

E chega sem dizer nada,
Dando só um magidinho;
Ela fica encantada
Com essa forma de carinho
E cede aos seus encantos...

Ah... o Genaro é um santo
Do pau oco, ele arrasta
A vaca pra qualquer canto,
Enquanto o dono é que pasta
Sabe por quê ? O meu touro

Não tem casta, nem tem ouro,
É um touro vagabundo,
Que de bom só tem o couro
Eu descuido um só segundo
E ele busca... outro tesouro !


04- O VALENTE TRIGUEIRO
Bernardino Matos

Seu moço,no meu roçado,
eu crio uma vaquinha,
não é por ela ser minha,
nem por ela ser vidrado,
quem bota nela um olhado,
concorda logo comigo,
até parece um castigo,
ter tanta beleza assim,
e não cozinhar pra mim,
vivendo no mesmo abrigo,

O nome dela é malhada,
irmã gêmea de Mimosa,
uma vaquinha fogosa,
não vendo ela por nada,
não vou perder a coalhada,
de seu leite tão gostoso,
nem o queijo apetitoso,
que fabrico todo dia,
que vendo pra freguesia,
além do doce pastoso.

Anda toda saliente,
desfilando pro Trigueiro,
um touro forte e ligeiro,
corajoso e valente,
que mete medo na gente,
qualquer dia eu solto ela,
para ver correndo atrás dela,
aquele touro atrevido,
de tanto ouvir seu mugido,
vai cair na esparrela.

Eu estou imaginando,
a beleza dos garrotes,
a linhagem dos filhotes,
e já tem gente apostando,
que vai terminar ganhando,
na exposição do gado,
com um filhote malhado,
o prêmio de formosura,
de vigor e de postura,
que é por mim tão sonhado.

Comprei sêmen congelado,
de touro do estrangeiro,
pra concorrer com trigueiro,
ele já anda intrigado,
tem medo de ser chamado,
de chifrudo,o coitado,
e a Malhada aproveita,
lá do curral ela espreita,
o trigueiro desolado.

E, assim, eu tanjo a vida,
espanto minha tristeza,
o sertão não dá moleza,
é uma luta renhida,
pra se ter casa e comida,
tem que existir a Malhada,
pra ter a minha coalhada,
e que tem ter a Mimosa,
que pro Trigueiro é gostosa,
nessa nossa caminhada.

Fortaleza, 05/01/07


05- A VAQUINHA MANHOSA
Michèle Christine

No meu tempo de criança
Manhosa é que era a tal,
cheia de dengo e bulício
alegrava o meu quintal.

A gente debruçava a cêrca
pr'acarinhar a Manhosa
ela gostava, se mexia, se empolgava,
dobrava a cabeça, não se amedrontava.

Manhosa tinha ciúme
não gostava de gente estranha
batia chifre, raspava pata,
corria atrás sem artimanha.

Manhosa era gulosa,
brejeira e de muita denguice
ficou no sonho da gente
brinquedo de criancice.

BH/MG - 06.01.2007


06- Ô VAQUINHA DANADA...
Zealberto

Essa vaquinha mimosa
que vinha comer na mão
conheci pequenininha
num distante São João,
queria pular fogueira
bonita, toda faceira,
com um bezerro mamão.

Dançou forró pé-de-serra
comeu muito milho assado,
um dúzia de pamonhas,
e amendoim torrado,
meia-noite foi embora
depois de ter dado o fora
no bezerrinho abestado.

Zealberto desde a Ponta Verde
de Maceió das Alagoas(06.01.2007)


07- A malhada, ah coitada!
Tere Penhabe

A malhada, ah coitada
sequer desconfia a pobre
seus dias estão contados
vai servir à plebe esnobe
em suculento churrasco
saboroso e mal passado
o prazer de todo homem.

De nada lhe adianta
a tal aftosa apresentar
tampouco lhe tem valia
de vaca-louca se pintar
vão comer de qualquer jeito
sendo pura ou com defeito
tenho pena desse olhar.

Eu até já ouvi dizer
que ela quer se deportar
vai morar lá nas Europas
em Paris, qualquer lugar
diz ela que os estrangeiros
não lhe comem o dia inteiro
pois gostam é de caviar.

Se calhar inda veremos
nossa vaquinha malhada
dando voltas lá no Louvre
ou sentada na calçada
tomando chop ou champanha
na França ou na Alemanha
com a gente do lugar.

Vai fazer muito sucesso
não duvidem meus senhores
mulatas do Sargentelli
vão perder e é de longe
nossa vaquinha é vedete
bonitinha mas não parece
todos vão se apaixonar.

Um fato eu não contesto
só não lhe garanto a sina
caso um fado aconteça
se a pobre dessa menina
deparar com concorrência
desleal na aparência
quando for pra lá galinha.

Que as galinhas também tem
suas agruras do Brasil
que quando assadas são boas
não na avenida, no grill
mas depois de degustadas
ainda são difamadas
pelo ovo que as pariu.

Com certeza minha gente
pra quem tem e pra quem pode
isso dá um bom cordel
ou uma dança de pagode
mas é fato consumado
pra muito breve acertado
quem quiser vai comer bode.

Santos, 06.01.2007
www.amoremversoeprosa.com


08- A vaca canadiana
Armando Sousa

A vaca canadiana, não tem toiro coitadinha
Mas se ela anda no cio
Não tem quem coce a sapinha
Moa moa coitadinha e mostra a sapinha inchada
Dando a conhecer ao dono que quer ser inseminada
Coitadinha da sapinha nunca sabe o que é prazer
Passa a sua vida a comer e a moger
Mas quando vê sua irmã
Salta para a cabalar
Mas coitadinha da irmã não tem nada para lhe dar
Assim passa a sua vida, coitadinha da vaquinha
A dar leite e dar à luz
Sem apanhar na sapinha
Depois leva uma choupada
Cai morta que nem um chasco
Parte dela fica amburgs
Outra vai parar ao churrasco
Ate a pele aproveitam, para solas de sapatos
Mas preparada com jeito
Fazem dela os melhores pratos

Armando.sousa@sympatico.ca
http://www.pequeninapoesias.com.br


09- AFTOSA
Diógenes Pereira de Araújo

A vaquinha Malhada, preocupada,
convocou todo o gado ao curral
a fim de transmitir ao pessoal
as últimas notícias da falada


Febre aftosa, o assunto nacional
Nem toda vaca estava interessada
Alguma até mostrou-se indignada
por perder seu cochilo vesperal


- "O assunto é sério, gente, é a aftosa..."
E discorreu com grande exatidão
sobre os focos de contaminação

dessa doença infecto-contagiosa.
O gado, a ruminar o capim cru,
mugia e apoiava: "Muuu. Muuu. Muuu."

diogenes@poemanet.com


10- BOI
Pilar Casagrande

Morto, é música em que revives,
Clamor em que te transfiguras!
És acorde entre o pastoreio no som
Dos pífaros dos chifres arrancados.
És nota sonora que a tua pele
Harmoniza sob as cordas do banjo.
A tua pele alisada, tensa, esticada,
Quando ferida ou tangida,
Responde em rebôo,
O clamor da tua memória,
Pela rufada dos tambores,
Pelo ruído dos pandeiros,
Entre os requebros do samba
Ao estridor dos bumbos retumbantes.
Em toda essa ressonância,
Vestígio estrepitante de teu ser
Esquartejado, revives!
Porque o rufo dos tambores,
O ressoar dos tamborins,
O soalhar dos pandeiros,
Lembram o choque das patas
Sobre o chão esborcinado,
O atrito dos cascos no galope
Relembram o tropel
No estouro da boiada!...
 


11- VACA SAGRADA
©VICTORIA LUCIA ARISTIZABAL©

Quién pudiera ser vaca sagrada
paciendo en un solar enamorada
quién pudiera tocarme con cariño
que no hay comida para tanto aliño

Sentir un par de manos delicadas
acariciando mis ubres de mañana
y ser con frecuencia inseminada
por un toro de estampa bien galana

Mover mi cola coqueta con el rabo
mientras le pico arrastre al toro bravo
para que no me diga que es un impotente

Que seamos de una vez esas valientes
que asustan con el virus de las vacas locas
o con las tetas repletas de aguardiente

BOGOTA COLOMBIA
ENERO 10 DE 2006
 

12- A Vaquinha Pretinha
Avany Morais

Tinha um pelo brilhoso
a bela vaca pretinha.
Todo dia à tardinha, ela vinha,
com o seu andar manhoso...
E com seu jeitinho dengoso,
nem parecia uma vaquinha.

Mais parecia um cãozinho,
destes de estimação,
de tão mansinha que era.
As crianças a enfeitava
com florzinhas amarelas.
A vaquinha, nem piscava.

Era muito deslumbrante
ver aquela cena engraçada,
a pobre vaca, coitada...
De flores e folhas enfeitada!
Mas, a vaquinha inocente,
parecia tão contente!

Na cabeça uma coroa,
com flores a enfeitava...
No pescoço as folhas verdes
a vaquinha ornamentava,
como se fosse um colar.
Tão bonita ela ficava!

Quando com ela falávamos,
olhava-nos tão atenciosa,
com um olhar de alegria!
Parecia que sorria!
Eita vaquinha manhosa,
era essa nossa pretinha!

Que saudade agora sinto,
daquele tempo tão lindo,
que no passado ficou!
Eu era feliz e nem sabia!
Mas, depois de tanta agonia,
foi que aprendi a dar valor.

Curitiba-Pr
23h00min
10.01.2007


13- Tordilha
Marília Mattos

A vaquinha tordilha
Descendente de gado Charles de quem é filha.
Filha com pedigree e medalha,
Adquirida na Exposição de Esteio
Quando foi premiada com uma linda medalha.

Desfilou toda prepotente,
Garbosa imponente
Cabeça altiva e orelhas para frente.
Parecia ser gente.

Passo Fundo- RS


14- Vaquinha
Muuuuu ou hunnn
Isabel Andrade

Esta de fazer
um poema de vaquinha
só de ti podia vir
mais com este tema
do mu mu.
eu delirei.
Há vacas e vaquinhas
há, as que dão de mamar
e as que gostam de mamar
depende da idade
da mesma vaquinha.
Há as castanhas e as malhadas
Nem todas fazem muuuuuu
algumas fazem hunnnnnn
porque o pasto as regala
e de ervinhas verdes
elas se alimentam
saboreiam e deliciam
Agora não sei bem
de que vaquinhas queres falar
nesta tua ciranda
mas o que é certo
é que vamos cirandar.


15- MiMI
Sandra Mamede

Mimi é uma vaquinha
muito linda, bonitinha
todos os bois do curral
adoram dar uma olhadinha

Mas Mimi é decidida
e não dá bola pra ninguém
espera o seu boi amado
pra transformar no seu "bem".

No curral há uma peleja
pelo amor de MImi
mas ela não dá nem bola
e não tá nem aí

Espera pelo seu príncipe
que um dia vai aparecer
e ela muito feliz
seu amor vai oferecer

Enquanto não aparece
o sei boi muito encantado
ela desfila faceira
entre o curral e o cerrado

Ela é uma vaquinha
de não se botar defeito
inteligente e bonita
todos gostam do seu jeito

O seu MUUUU é delicado
o seu corpo definido
suas tetas sensuais
balança o rabo bem lindo

Assim ela vai levando
no curral sua vidinha
enquanto não chega seu príncipe
vai continuar sozinha.


16- A VAQUINHA MALHADINHA
Mário Osny Rosa

Quando vinha da rocinha
Muito trato logo trazia.
Para dar a minha vaquinha
Que o leite produzia.

No café da manhã
Com apojo da vaquinha.
Preparado pela mamãe
O leite tia natinha.

Logo bem cedinho
Na porta da estrebaria.
Escutava o seu berrinho
Era o trato que ela pedia.

Que leitinho mais gostoso
Era mesmo bem quentinho.
Que café mais saboroso
Com o leite da vaquinha.

São José/SC 10 de janeiro de 2.007.
morja@intergate.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br


17- Vaquinha Mimosa ou Manhosa
Lúcio Reis

Além de cultuar poesia
Você também canta para freguesia
De noite e de dia
Para vender leite e coalhada
De sua vaquinha malhada
Mas não faça isso com o trigueiro
Importando sêmen do estrangeiro
Você já imaginou o coitado do bichinho
Cabisbaixo com o peso de mais um chifrinho
E muito leite e coalhada precisará vender
Para conta do analista poder vencer
Pois o trigueiro com complexo de chifrudo
A várias consultas precisará comparecer
E o pior é se não convencer
O bichinho se sentir além de chifrudo também orelhudo
Acho ser a rês de sua estimação
Da fazenda o orgulho da criação
Não desanime o tourão
Deixe com ele o titulo de reprodutor e garanhão
Quem sabe a mimosa fique decepcionada
Mas ao pari de reprodutor de outra manada
Congelado e para cá matéria prima importada
Resolva adquirir dupla nacionalidade
Pois deu cria de estrangeira paternidade
Fica você sem o touro trigueiro
Que desgostoso muda-se para outro curral
E sua linda vaquinha vai mugir em outro quintal

Belém do Pará
11/01/07


18- A Vaquinha
Ana Maria Marya

Arrerebí o imeio
qui vancê mi mandou,
prá falar di uma vaquinha,
qui é todo meu amô,
quí é toda uma lindeza.
Apois...
Essa vaquinha preta i branca,
é di arta nobreza,
mi custou os zóios da cára,
e ié uma belezura holandeza.
Essa bixinha é mancinha,
qui pareci criancinha,
as vêis de quano em quano,
me móia todo pela manhã.
É quano vou tirar leitinhu,
i qui amarru divagarzinhu
seu bizerrinhu em seu pézinhu.
Ela sorta água di ondi num deve.
Dou um pulo prá trás,
E mi aperreio zangado.
Ispero a água pará,
e daí num instantinhu
cumeço o leite a tirá.
Prá modi mió vendê,
tomu cuidado cum leite,
pois é muito ruim
leite cum gostu de azeite.
Adispois eu sortu a holandeza
Prá pastá um bom capim.
Tem feno tem ração,
tem tudo qui num ié prá mim.
Sô bom di coração.
É assim qui ieu tratu,
a minha vaquinha holandeza,
bunita cuma ela só,
e dá leite qui é uma riqueza.
Êi! Êi! Seu Linhaça vosmiçê qué cumprá?
Ai moço... vendu naum.
Num há dinheiru qui possa pagá.
Ieu amo minha vaquinha,
cumpra otra nas banda di lá.

11/01/2007
Ita/Ba/Brasil


19- A VAQUINHA LOUCA
Antonio Cícero da Silva

Possui uma vaquinha
Conhecida como louca
Era muito nervosinha
Desfechando chifradas, era afoita.

A vaquinha louca
Quando queria era bondosa
Escondia-se entre as moitas
Tornava-se muito dengosa.

Era uma vaquinha
Excelente procriadora
E lá na fazendinha
Era também boa assessora.

Mas quando estava nervosa
Ninguém a segurava
Tornava-se perigosa
Mas a ela, eu sempre domava.

http://antoniocicerodasilva.blog.terra.com.br

20- Vaca
Malu Otero

Vaca mugindo no pasto
Tropel de moleque correndo
O riozinho serpenteando
Com o sol ardendo no alto
No pasto verde comendo
Meus olhos presenteando
Desde cedo até de noite
Era isso o que eu via
O meu olhar procurava
Tudo isso eu percebia
Com a infância combinava
Passava o tempo, eu crescia
Quando vejo uma vaca
Lembro daquele campo
Delas mugindo no pasto
Viro criança de novo


21- VAQUINHA DIFERENTE
Sá de Freitas

Minha vaquinha é pequena,
E tem um chifre quebrado,
Talvez o touro enciumado,
Arrancou a sua antena.

No meio da vacarada,
A pobre desaparece,
Mas quando o dia amanhece,
Ela vem sem ser tocada...

Na mangueira entra sozinha,
E apesar de ser tão feia,
Não precisa pôr-lhe a peia,
Por ser ela tão mansinha.

Fica quietinha a coitada,
E o balde vai se enchendo,
Pois seu úbere tremendo,
Dá leite até pra coalhada.

Não troco a minha vaquinha,
Por minha boiada inteira,
Porque é a melhor leiteira...
Supre a família sozinha.

Já compra inté quisero,
Essa vaca milagrera...
Mais eu num faço a bestera,
De vendê o que mais quero.

E se arguém quisé tomá,
Um conhaque com leitinho,
É só chegá no sitinho,
Que deixo e num vô cobrá.

Mais se vié zombando dela,
Pelo chifre da coitada:
É bão prepará as canela,
Sinão cubro na paulada.

 

22- A VAQUINHA
Mifori

Vivia uma vaquinha
Um tanto abitolada,
Amuada e tristinha,
Cansada e atarefada.

Pelos campos a caminhar
Já não mais queria
Um outro canto pra aninhar
A vaquinha pretendia

Pelas estradas da vida
Saiu feliz a cantar
Muitas amizades queridas
Haveria de cultivar.

Como quem nada quer
Muitas coisas descobriu
E num bem viver...
O amor lhe sorriu

(MC:18/01/2007 – 23:30)
http://geocities.yahoo.com.br/mifori_poemas/index.htm


23- A vaquinha cor-de-mel
Angela maura

Entre todas as vaquinhas
que vivem aqui na fazenda,
há uma diferente,
que parece feita de "remenda" !

Ela não é como as outras,
brancas com manchas pretas...
Ela tem uma outra cor,
e tem uma outra careta...

Essa vaquinha especial,
é a vaquinha cor-de-mel,
com um rostinho angelical
e pêlos de papel...

Que pena que essa vaquinha,
é só um desenho no meu caderno...
Onde há até as estações:
Primavera, Verão, Outono e Inverno...
 

24- ESTOURO DA BOIADA
Hilma Ranauro

Convocada a falar de vacas
e bois, coloco, aqui, minha rês,
só pra brincar e mugir
no ritmo de vocês.

Na vida me sinto assim,
no admirável gado novo
do Zé, o Ramalho, correndo
indefesa à frente do estouro.

E lá vamos nós, na crença,
tola, de que domamos,
domados que estamos
cada um na sua vez.

www.filologia.org.br/hilmaranauro


25- Conta a Malhada...
Cássia Vicente

...Mimosa sem ser escandalosa
procurou correr devagar daquela coisa roliça
que insistia em perturbar sua tranqüilidade
enquanto pastava naquele pasto verdinho
naquela manhã ensolarada...

...Não tinha jeito, apertava o passo e a coisa também
tentava disfarçar olhando pro lado querendo chamar atenção
(na hora nem percebi!)
e a coisa nem aí continuava no encalço
disfarçadamente se escondeu atrás do Jacarandá
ufa!, pensou, agora estou salva...(eu imagino)...

...Não é que a coisa estava em cima da árvore olhando pra ela...

...Ichiii, ta ficando danado...se correr o bicho pega...se ficar também!
melhor tentar fingir dormir...e assim fez...

...Pergunta agora se a mimosa acordou?...que nada...
ouvi dizer que agora ta pastando lá no céu

...E a coisa?...dizem que esta hibernada bem embaixo do Jacarandá...
...por quanto tempo...nem sei...
o que sei é que por lá não passo mais...se precisar pulo acerca...
...nem aí pro choque que vou levar...
nem pensar fazer companhia pra Mimosa
prefiro o verdinho aqui da Terra
deixa o céu pra Mimosa...

Jataí.GO
21.01.07
 

26- Vaquinhas, e vaquinhas...
Vuch@

Temos a que dá o leite
para nossas criançinhas
temos aquelas que o roubam
metidas a engraçadinhas...
Temos vacas engraçadas
que mugem de manhãzinha
temos as fantasiadas
também chamadas galinhas...
Parecem inofensivas,
não mugem, não são malhadas
mas levam nossos maridos
pelas longas madrugadas...
Cuidado com as diferenças,
elas podem ser fatais
vemos casos todos dias
estampados nos jornais!

18:06
Cotia-21/01/07

¿!\Vûchynh@®
http://br.geocities.com/poetar2006/index.htm
http://br.geocities.com/quartosbr/index.htm

 

27- A VAQUINHA TATÁ
Artemisia Freitas

Foi no vigos dos meus anos
Quando tudo é alegria
E marca com traços fortes
sem sombras de nostalgia
Foi lá no interior
Onde o verde se destaca
E a lua brilha mais forte
Em ritmo de serenata
Lá morava a tatá,
Uma vaquinha mimosa
Que além de ser faceira
Era muito carinhosa
Todo dia ao amanhecer
Quando o sol aparecia
Encontrávamos com a tatá
Sorrindo de alegria
Era a hora do café
E todos nós viciados
Íamos lá com a vaquinha
Levando pães bem sovados
A tatá logo deitava
Entregando as suas tetas
Para tirarmos o leite
Que nos dava satisfeita
Certo dia fez pirraça
E por nada se deitou
Ficamos surpreendidos
Com o que ela falou...
Entender o desabafo
Daquela linda vaquinha
Nos custou o dia todo
E você... já adivinha?
Ela queria uma troca
De leite por pães sovados
Era justo minha gente
Mas ficamos ali parados.

E quando nós decidimos
Dar-lhe o que queria
Ela deitou-se fogosa
E cheia de alegria
Foi assim por muitos dias
Até a separação
E hoje guardo comigo
Linda recordação...
Tatá, vaquinha mimosa
Que saudade de você
Ah!!! se eu voltasse no tempo
Daquele amanhecer
 


28- Vaquinha branquinha!
*SussuLuz*

Vaquinha branquinha,
pelo seu dono, assim foi chamada,
porque de tão branca até brilhava
quando nasceu, era deveras fraquinha,
por isso foi muito mimada.

Foi crescendo e tomando um belo porte,
seu dono por ela tinha carinho,
negava-se a mandá-la para abate de corte,
queria cruzá-la com um boi do sitio vizinho.

Com isso essa vaquinha danada!
ficou preguiçosa, dengosa e caprichosa,
não queria saber de mais nada,
só pensava em ser desejosa.

Passava o dia todo na invernada,
pastando e comendo capim,
procurava sempre estar aconchegada,
embaixo de árvores como estivesse num jardim


29- MiMI
Sandra Mamede

Mimi é uma vaquinha
muito linda, bonitinha
todos os bois do curral
adoram dar uma olhadinha

Mas Mimi è decidida
e não dá bola pra ninguém
espera o seu boi amado
pra transformar no seu "bem".

No curral há uma peleja
pelo amor de Mimi
mas ela não dá nem bola
e não tá nem aí

espera pelo príncipe
que um dia vai aparecer
e ela muito feliz
seu amor vai oferecer

Enquanto não aparece
o sei boi muito encantado
ela desfila faceira
entre o curral e o cerrado

Ela é uma vaquinha
de não se botar defeito
inteligente e bonita
todos gostam do seu jeito

O seu MUUUU é delicado
o seu corpo definido
suas tetas sensuais
balança o rabo bem lindo

Assim ela vai levando
no curral sua vidinha
enquanto não chega seu príncipe
vai continuar sozinha.


30- Parábola Oriental.
Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Vinha um mestre com seu discípulo lento
para entender maravilhas e mazelas
neste Mundo tão maravilhoso e estranho.
Tinham sede e fome mas nesse momento.
andavam sem casa, portas ou janelas ,
caminhavam por estradas sem tamanho...

O Mestre viu , no barranco, uma vaquinha:
-Olhe:por perto,acharemos alimentos...
Acharam um atalho da encruzilhada,
Uma decadente e velha fazendinha,
onde brincavam meninos remelentos,
que a mãe chamava, com roupa remendada.

E quando soube das suas necessidades
serviu-lhes uma sopa rala e um chazinho.
Seu marido ofereceu-lhes o paiol
para passarem a noite.Sem vaidades
o monge e o moço dormiram um pouquinho
foram embora quando nasceu o sol.

Dois copos de leite lhes deu o fazendeiro,
e revelou que a vaquinha era o sustento
da sua família que não plantava nada...
Soprou então, para economizar, o aceiro,
apagou o fogo e adormeceu num momento.
E então voltaram os monges, para a estrada...

"-Mestre, o senhor viu?Que pobreza,coitados!
e mesmo assim , nos trataram muito bem..."
O Monge mais velho o ouviu, sem comentar...
De repente, comendo os capins molhados,
encontraram a vaquinha um pouco além...
-"Mestre, então é nossa obrigação a abençoar!"

O sábio então, para ela pôs-se a correr.
O jovem ficou deveras encantado
por ter o mestre acatado a sugestão.
De repente, apavorado, pôde ver
quando o velho empurrou o animal tão abençoado
sem poder entender o gesto do ancião...

-"Mas por que ser assim ingrato, senhor?
A família,dessa vaquinha precisa!
Como é que agora, irão se alimentar?"
inconformado com esse desamor,
sentiu que se abalava a fé , antes precisa,
e tristonho, continuou seu caminhar.

E depois de andarilhar pelos caminhos
à mesma fazenda , vieram dar depois.
Viram adolescentes, alegres,fortes,
encontraram, cercas, celeiros novinhos,
E os pais logo vieram receber os dois.
-"De que forma puderam mudar as sortes?"

O novo monge estava maravilhado
e a bondosa mulher logo deu a a resposta,
ao servir-lhes farto e delicioso almoço:
-"A nossa vaca escorregou do cercado
nós precisamos defumar cada posta,
e aprender a fazer lingüiça, seu moço"...

"-Fiz horta para temperos verduras "
contou o orgulhoso dono da casa,
e negociamos a nossa produção...
Acabaram-se todas as aperturas,
porque a sorte, mesmo quando se atrasa,
sempre chega e clareia as idéias escuras."

Mais tarde, o monge novo comentou,
que agora entendia o porque da atitude,
daquele sábio de cabeça branquinha...
-"Veja, meu filho, tudo agora mudou,
trabalhar bastante é uma grande virtude,
ordene sempre que empurrem sua vaquinha..."

E quando não o fazem, empurre tu mesmo,
Ajuda-os a tomar novas atitudes
e a garra chega com as necessidades...
E assim as pessoas deixam de andar a esmo,
de serem passivas e sempre que as mudes,
saberão repassar essas novidades...

Cordelzinho inspirado no conto "Empurre sua Vaquinha",
em livre versão. O texto ,em prosa,correu pela Internet,
sem a devida autoria (*).
Hoje, fiz, em livre versão, esses versos para a ciranda.

Belo Horizonte, 25/01/2007

 

31- Vaquinha Feliz
@liosh@**/CIG@N@**

A vaquinha amarelinha
Muge, berra, grita tão feliz
Dos ruídos, sons , tão alegrinha
Em aviso ela nos diz

Meu povo e minha pova
Amo a vida e dar leitinho
Não coloquem-me a prova
Sirvo a você e aos meninos

Tão fortinhos ficarão
Posso caminhar passo a passo
Do meu leitinho provarão
Dêem-me em troca um bom pasto

Leite, requeijão e um bom queijo
Yogurte , papinhas e creme de leite
Servindo ao vosso deleite
Dêem-me em troca um gostoso beijo

Solicito humildemente, ansiosa
Que do corte seja poupada
Minha carne é deliciosa
Mas mortinha não servirei para nada

Bragança Paulista
27/01/07
18:05h