*"O que me descontrai, por incrível que pareça, é pintar.
Sem ser pintora de forma alguma, e sem aprender nenhuma técnica.
Pinto tão mal que dá gosto e não mostro meus, entre aspas,
quadros, a ninguém. É relaxante e ao mesmo tempo excitante
mexer com cores e formas sem compromisso com coisa alguma.
É a coisa mais pura que faço (...)
Acho que o processo criador de um pintor e do escritor
são da mesma fonte. O texto deve se exprimir através de
imagens e as imagens são feitas de luz, cores, figuras,
perspectivas, volumes, sensações."
- Clarice Lispector

 

MEDO - Óleo sobre tela de Clarice Lispector

 

 

 

Será que nós temos um medo maior que todos os medos?
Tememos o perigo, a dor, o inusitado.
Do que mais temos medo?

Sonia R. trouxe até nós esse sentimento para que
pudéssemos soltar o medo que há dentro de cada um.

Foi maravilhoso receber a presença dos amigos
em mais esta ciranda.
Recebam carinhosamente o selinho de participação.



Beijos de carinho
Anna Müller
Cirandas de Letras

 

 

01 Sonia R. 02 Cleide Canton
03 Rivkah Cohen 04 José Carlos Barbato
05 Mifori 06 Aurea Abensur (Orinho)
07 Vyrena 08 Guida Linhares
09 Luiz Poeta 10 Jorge Linhaça
11 Soaroir 12 Mário Osny Rosa
13 Antonio Cícero da Silva 14 Regina Silveira
15 Marcial Salaverry 16 Lívia Garcia
17 Lucia LMS 18 Sérgio Diniz Barros Guedes
19 Neusa Mendonça 20 Iracema Zanetti
21 Maurélio Machado 22 Cáritas Souzza
23 Luiza Benício 24 Marineusa Santana
25 Rogério Martins Simões 26 JGMoreira
27 Sá de Freitas 28 Muriel Elisa T. Niess Pokk
29 Gislaine Canales 30 Angela Conde
31 Pilar Casagrande

 

 

 

01. EU TENHO MEDO!
Sonia R

Eu tenho medo de ruídos estranhos
de sirenes na noite que acordam sonhos
de relâmpagos que acendem nuvens
de palavras soltas, de apelos inúteis.
Tenho medo das miragens
das sombras que o sol estira no final do dia
depois de um tanto e incontido brilhar.
Tenho medo das temperaturas imprevistas
das rinhas e das inconstâncias
e do jeito, tão meu, de buscar telhas partidas
nos tetos altos das quimeras
só por uma nesga de céu.

sonia-r@superig.com.br
http://geocities.yahoo.com.br/escritoresepoetas
http://www.recantodasletras.com.br/autores/soniar 


02. ESQUECI MEUS MEDOS
Cleide Canton

Esqueci meus medos
nos primeiros tombos que levei,
nas lágrimas que derramei,
nas feridas que eu mesma curei...
Sou resto de mim...
Apenas a parte
que não foi maculada
pelo ardor de promessas falsas,
nem corrompida
pelo veneno de amores insensatos.
Sou apenas o contexto
numa infinita explicação de razões
que se perdem nessa "nesga de céu
onde buscas as telhas partidas
nos tetos altos das tuas quimeras".

SP, 19/04/2007
13:20 horas


03. Quisera ter medo, quisera!
rivkahcohen

Não pude ter segredos,
minhas ferida são abertas,
sirene faz parte do sono,
não sei o que seria sem ela,
nos avisa desde criança
que o bicho-papão não some,
está vindo e avança..
Não, não quero olhar o céu,
ele risca amarelo antes da explosão
e sinceramente eu quero me esquecer dela.
Daí dizer de ante-mão
quisera ter medo, quisera!


04. MEUS MEDOS
José Carlos Barbato
19/04/2007

meus medos são...
de perder o tempo de viver
intensamente um amor e a vida...
de perder o equilibrio das emoções...
toda civilização atropela o Ser...
esquecem de um Amor Uno em Deus !
de perder o tempo de Amar
no esplendor do viver da liberdade
do Ser !
Vamos nesta, viver a vida com:
a verdade, liberdade, e felicidade
três palavras ligadas entre si...
quem vive a verdade é livre...
quem é livre é feliz ...
e quem é feliz tem tudo... O Amor
sem medos ...
santos/sp -Barbato



05. TIVE MEDO
Mifori

"Quero conhecer o mundo com você!"
Assim que tracei metas e objetivos,
Tive medo e senti um grande tremor.
Ao rever a minha vida e minha trajetória
Conclui que medo se vence com o amor!

Resolvi concretizar os meus sonhos!
Dominar meus medos enfadonhos!
Lembrei-me que tive medo de nascer,
Tive medo de andar, de ouvir, de falar.
Mas aprendi caminhar, saltar e correr!

Lembrei-me que tive medo de crescer,
De fazer amigos, de ir à escola, de agir!
Mas aprendi com a vida que pude viver!
Como é bom ouvir vozes, sons, sorrir,
Ajudar as pessoas, ensinar e cantar!

Lembrei-me que tive medo de no trabalho,
De ser humilhado, fraquejar ou ser exaltado!
Tive medo de não ser aceito pelo grupo,
De não encontrar fórmulas ou atalhos,
Para os desafios, com os meus trejeitos!

Tive medo de me doar, de construir um lar,
De errar ao educar meus filhos para a vida!
Mas, aprendi com a vida, que ela nos ensina
A viver alegre, sem sofrimento e sem dor!
Banimos o medo se o trocamos pelo amor!

"Se tive medo de nascer, aprendi com a vida, a viver feliz,
sem medo de morrer. (Mifori:05/09/02)".


06. TENHO MEDOS
*Aurea Abensur*
(Orinho)

Tenho medos,
De querer soltar meus sons
Gritar bem alto pro mundo
Romper com este afogamento de sonhos
Abraçar só que a vida tem pra me dar
E voar...

Tenho medos,
De não querer mais contar as horas
De dores para suportar
Quero um chão seguro para sentar
Deixar cair livremente minhas lágrimas
E meu coração lavar...

Tenho medos,
De ter que implorar a um irmão de alma
Para comigo caminhar
Com passos suaves
Esperando não o paraíso encontrar
Mas um motivo ter para brindar

Salvador, com medo...


07. Meus medos
antoniA NERY Vanti

Meus medos giram ao redor de mim
como mariposas ao redor da luz.

Tenho muitas vezes, medo do escuro
onde as sombras parecem espiar-me
e ler meus pensamentos.

Tenho medo claridade demasiada
que desnuda meus sentimentos,
imiscuindo-se em meu íntimo,
descobrindo meus segredos.

Tenho medo de viver,
nesse mundo poluído
mas também tenho medo de morrer,
por desconhecer o que a todos
é desconhecido.


08. TENHO MEDO!
Guida Linhares

Tenho medo de ter medo
da insensatez que gira no mundo
e dentro dela não conseguir
discernir o certo do errado,
presa de um tsunami de emoções.

Tenho medo de ter medo
de amar de novo e sofrer
silenciosas angústias por tudo
que não foi dito e sentido,
e de repente aflorado.

Tenho medo de ter medo
de encarar a doença se ela chegar.
E lidar com dores e dependências,
além do acréscimo que já carrego,
de um zumbido permanente.

Tenho medo de ter medo
de andar na rua sózinha
e assim prender-me atrás das grades
da janela que me encerra
entre quatro paredes que me aprisionam.

Tenho medo de ter medo
que a violência atinja aqueles que amo,
a cada vez que vejo em noticiários,
os assustadores espectros
que nos rondam diuturnamente.

Só há uma unica coisa,
da qual não tenho nenhum medo.
De quando chegar a hora da partida,
por estar de bem com a vida,
por tê-la vivido em toda a sua plenitude.

Santos/SP
21/04/07


09. MEDO DO MEDO
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros

Tu tens medo até das sombras...
Que pobre é teu coração,
Que enxerga o que não existe,
Tu vives de dedo em riste
Apontando uma agressão.

Tu tens medo até dos medos,
Que triste é tua emoção,
Uma víscera aberta
Que torna tua vida incerta,
Um texto sem conclusão.

Até quem te estende a mão
Apresenta um defeito,
Tu vives insatisfeito,
Sem rumo, sem direção;
Que pena... se confiasses
Em ti, e te aceitasses;
Se apenas te completasses,
Não terias solidão.

Direitos Autorais Reservados


10. MEDO
Jorge Linhaça

Medo é coisa que acomete
sem hora prévia marcada
insegurança que nos remete
à solidão das madrugadas

Fobias tantas e diversas
pesadelos feitos tão reais
fantasias tão desconexas
que não terminam jamais

Medo, quem te quer, ó medo?
Onde vais nos levar afinal?
Qual é esse teu cruel segredo?

Estampas em folhas de jornal
da sociedade o total desapego
total desamor de forma cabal.


11. * Eu tenho medo *
Soaroir

Da falta de energia
Estantes vazias
Mãos sem pena
e-poesia!

28/04/07
Blog: Pote de Poesias


12. MEDO
Mário Osny Rosa

Tenho medo de perder
O meu grande amor.
Sem ela não posso viver
Sem ter o teu calor.

Esse medo me confina
Numa eterna solidão.
É tudo que se confirma
Dessa grande paixão.

Ao tenho medo de morrer
Se perder o meu amor.
Meu grande medo é viver
Vou sofrer uma grande dor.

São José/SC, 27 de abril de 2.007.
morja@interagte.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br


13. TENHO MEDO
Antonio Cícero da Silva

Eu tenho muito medo
de te perder querida
meu amor eu te concedo
você adoçou a minha vida.

Procuro contigo corresponder
com o melhor que eu posso
que fica mais gostoso viver
o amor profundo nosso.

Eu tenho muito medo
que saia a sós nas ruas
que até entro em desespero.

Tenho medo da violência
que pode a qualquer um atingir
sem nenhuma clemência.

http://antoniocicerodasilva.blog.terra.com.br 


14. Eu tenho medo
Regina Silveira

Eu tenho medo das noites escuras
Em que olho o céu sem estrelas, sem lua
E procuro aquele seu amor
Vão ser longos os caminhos
horas e dias vazios
Que vou sentir falta do seu amor e carinho
O desespero bate em meu peito
Você não tinha esse direito
De conquistar e depois machucar
Eu tenho medo
De nunca mais me esquecer de você e
Poder novamente viver.

Uberaba/MG
30.04.07


15. MEDO DE DECIDIR DECISÕES
Marcial Salaverry

Algo precisamos decidir,
para ver o caminho a seguir...
Causa um certo medo,
é preciso saber intuir...
Decisões decisivas
sempre nos deixam indecisos...
Um certo receio,
de ter de parar no meio...
E essa indecisão poderá ser decisiva...
Ou não...
Medo de uma decisão...
Dessas decisões, vai o futuro depender,
e há que pensar para bem resolver,
para depois não se arrepender...
Delas depende pra onde vai o futuro pender...
Na hora de decidir decisões
que comandarão nossas ações,
devemos seguir apenas o coração,
ou ouvir com atenção nossa sábia razão?
Medo de decidir a decisão...


16. MEDOS
Lívia Garcia

Não tenho MEDO, tenho medos...
Medo de magoar as pessoas
Sem que elas mereçam
Medo de que essa incomparável beleza
Gratuita, que sempre existiu,
O homem destrua: a natureza.

Tenho medo de armas de fogo
Tenho medo de vícios como o jogo
Tenho medo de dirigir em grandes cidades
Tenho medo de guiar em excesso de velocidade
Tenho medo da loucura que sou eu
Tenho medo dessa paixão que me enlouqueceu!

Tenho medo de invadir a alheia privacidade
Tenho medo de perder a liberdade
Tenho medo de meu carinho ser confundido
Com atitudes levianas, como assédio premeditado...
Tenho medo, sim, de ficar inválida
E as asas precisar recolher!

Mas do que tenho mais medo,
Muito medo mesmo,
É de, numa tarde pálida,
Após todo o trabalho cumprido,
Dizer adeus e nunca mais,
Ou por muito tempo,
Ficar longe de você!


17. Medos
Lucia - Lms

Medos que invadem minha alma
em momentos de solidão...
Não sabia tê-los tantos assim...
Medos que encarceram sentimentos
em muralhas intransponíveis...
Congelam emoções, paralisando atitudes...
Aprisionam ternuras,
evitando romper diques de sensibilidades...
Medo de mim mesma, sabendo
estar longe da evolução que queria ter....
Por saber que, planto agora, o que colherei amanhã,
e, por ter esta consciência, muito me questionar...
É necessário dar passos seguros, corretos
para ter um melhor porvir...
Será que consigo, a todo instante,
este objetivo seguir?
Temor da escuridão da alma alheia,
sujeitos que somos
a tantas violências...
Nas mais variadas formas,
mas sempre violências,
contra a nossa fragilidade humana...
Medo do futuro incerto que se aproxima...
Sabedores de que depende, da nossa atitude,
nosso amanhã...
Constatamos a negligência humana ,
levando caos ao nosso planeta,
tornando-o uma incógnita de vida futura...
E entre tantos outros medos...
O fantasma de te perder
e viver apenas da tua ausência...
Deparar-me com o vazio que me cerca,
abandonar esperanças vestidas de sonhos...
Para apenas ser eu...sem ter você...

30/04/07


18. MEDO...
Sérgio Diniz Barros Guedes

Sua extensão
me escraviza,
me avisa
de meus limites,
me ama
me maltrata
me acaricia
com resignação.

Sua extensão
é minha expectativa,
meus instantes
minhas fantasias
meu desassossego
meu viver.

Sua extensão
deixa-me extenuado
pela exuberância
e o desejo alheio.

Sua extensão
sobressalta-me,
fico inseguro,
mas o amor
que existe em nós
é maior que tudo,
tenho medo...

http://br.geocities.com/sdbguedes


19. Meu maior medo
Neusa Mendonça

Meu maior medo é de não suportar ver-te partir.
Pois não suporto despedida, sinto o amargo sabor
de saber que jamais, poderei rever a pessoa que amo
Amor esse que só Deus saberá o tamanho de minha dor
e o sofrimento de ver partir aqueles que do meu fez parte
Ah! Medo cruel que atormenta minha alma, que me faz tremer,
Esse medo mora dentro de mim e morrerá comigo,
pois só de pensar tenho medo ...
Medo de percas, medo de saber que jamais
poderei olhar-te novamente....
Tenho medo do momento da despedida, pois sei que será para sempre,
como sei também que será momento único,
jamais serão repetitivos, sei que o tamanho do
meu coração é o tamanho do meu medo...
Conheço cada partícula de meu ser, da capacidade de aceitar
a perca cruel, medo de não suportar viver mais sem
você e morrer de tristeza, morrer aos poucos...
Medo de minhas lágrimas secarem, medo dos fantasmas
que ficaram juntos com as recordações...
Deus como tenho medo, da morte...
Pois sei que seu golpe é certeiro e fatal.
Tenho medo só de pensar...
Mas, sei que terei que conviver com esse medo
até os últimos dias de minha vida...
Ah! Medo cruel que atormenta minha alma...
Pois, sei que ninguém, jamais arrancará esse medo
de dentro de mim...


20. Medo de Meus Fantasmas!
Iracema Zanetti

Ó medo...
Minha alma tu descentralizas...
Escapam-me as rédeas das mãos!
Perco-me em caminhos que sempre percorri...
Mas hei de chegar ao final de minha rota!

Ah, tempestade bravia...
Toma outros rumos, busca mares diferentes...
Onde reine a calmaria!
Suaviza esta dor que me alucina!

Ah ventania...
Onde minhas lágrimas choradas...
E qual o prazer das sombras em forma
De vultos esquálidos...
Pairarem nas paredes do meu quarto...
Como terríveis pesadelos...?

Eu passo à noite sozinha sentindo medo...
Mas hei de enfrentar meus fantasmas frente a frente!
Vejo vultos em movimento num vaivém louco...
Que me desnorteiam...!

Sombras estranhas, embaçadas, desconexas...
Rodam à minha frente, como filmes de terror!
Mantenho-me acordada, madrugada afora...
Bem perto de nascer o dia!
Para que a luz do sol ofusque os olhos
De meus fantasmas e eles sumam do meu espaço...
Desfazendo o caos da minha vida...!

Se, o exílio se fizer preciso,
Para eu voltar a me encontrar...
Pedirei perdão a meu chão, e deixarei aqui...
Meu amor e meu coração...!
Direi adeus sem olhar para trás...
Para não deixar uma só lágrima...
Rolar neste torrão abençoado, que tudo me deu...!

Aos amigos que tentaram me livrar
De toda a dor que eu passei...
Deixo meu estandarte, minha espada...
E o pedaço de terra que ainda é meu...
E assim, partirei em busca de minha redenção...!


21. “EU TENHO MEDO”
Maurélio Machado

de perder-te
e sofrer.
Tenho medo
de sofrer
e perder-te.
Medo terrível
do amor,
terrível medo
da dor,
do amor
e da dor
eu tenho medo...



22. EU TENHO MEDO
Cáritas Souzza

Eu tenho medo
Das palavras de amor
Não pronunciadas
E do perdão
Não concedido

Eu tenho medo do medo
Da pressa
Do descaso
E da distância tantas vezes
Aproximada ao som de tua voz

Eu tenho medo do riso
E da alegria
Dos amigos
Do brilho do sol
No momento
De tua chegada

Eu tenho medo da memória
Que me faça esquecer
o esquecimento
O egoísmo
A paixão
E a serenidade para esperar
O amanhecer de um novo dia

Eu tenho medo das metáforas
dúvidas e fuga
nome e sobrenome
Entre a neblina e a alma

Eu tenho medo da segunda chance
Do voto de confiança
Sem remissão das culpas
Que condena os excessos da solidão

Eu tenho medo do mar
Da serra e montanhas
Do brilho das estrelas
fogo e fogueira
Espelhos de luz
Em raios de luar

Eu tenho medo de tudo
Dos segredos inconfessáveis
Deste sentimento de amor
Intenso que sinto por você
Que exige olhar com dignidade
O que fui e o que restou
De mim


23. VEJAM O MEU MEDO
Luíza Soares Benício de Moraes

Hoje eu tenho medo
Que a minha gente
Tão passiva e crente
Tão sincera e simples,
Se lembre que um dia
Foi cabra da peste
Foi caboclo forte...
Vencedor da morte...

Hoje eu tenho medo
Que Virgulino
Com seu bando pronto
A pedir vingança
Volte a exigir
Nova Esperança

E ao seu modo próprio
De pedir Justiça
Volte o Padim Ciço
Todo indignado
Vendo o seu sertão assim,
Tão abandonado!

-1983


24. Tenho Medo
Marineusa Santana

Tenho medo de tudo
Que está em minha volta
Este sentimento feio
Sempre me escolta.

Tenho medo das pessoas
Que vêm em minha direção
Se eu não as conheço
Penso que bandidos são

Já não faço caminhada
Tenho medo da andar
Até mesmo na pracinha
Que costumava frequentar

Tenho medo de parar
Para a alguém socorrer
Pode ser uma armadilha
E eu posso até morrer

No sinal de trânsito
Há crianças a pedir
Tenho medo delas
E rápido desejo fugir

Tenho medo de ladrões
E minha casa é cercada
Com cerca elétrica e câmera
E eu estou encarcerada

Tenho medo de ter medo
Na hora e lugar errado
De agir sem ser cristão
De ferir ao Deus amado.

Brejo Santo - Ceará
www.mrineusantana.recantodasletras.com.br


25. AMANHÃ É DIA DOIS
Rogério Martins Simões

Amanhã é dia dois!
Carrego em mim estes dias marginais
Que se arrastam mas parecem iguais,
Tão diferentes o são, pois,
Até ao escrever alago as rimas.

Limpo as minhas mãos transpiradas
Esgota-se a fonte das minhas lágrimas
Tenho novamente as mãos suadas
Porque amanhã é dia dois…

Já passaram por mim tantos dias
Mas estes ao passar fizeram doer
Que diagnóstico me fará mais sofrer
Pois só de pensar pensando sofrias.

Ide oh tristezas, pois, quero que rias,
Ide! Deixai comigo o meu corpo que resta
Os exames na mão, mas, com esperança esta
De voltar a chorar por mais alegrias.
Passa depressa oh dia dois…

01/08/05
http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt


26. O MEDO
JGMoreira

Não tenho palavras.
E se as tivesse não as diria a ti,
A quem tenho poupado de mim.
Tenho poupado teu coração
Das minhas horas vazias de vida,
Dos meus momentos de morte contínua,
Do meu viver por obrigação DA vida.

As palavras que não tenho
Diriam à tua alma pacificada
Que vivo em guerra sem trégua;
Que o inimigo tem se infiltrado
Ao longo dos anos e desconhece armistício

As palavras que não quero que conheças
Diriam que tenho andado opaco
De alma nublada: pés na terra
coração apertado por mãos do nada.

Queria te confessar que assombra
Ao me ver menos homem e mais coisa
Com as emoções soterradas pelos escombros
Do que fui um dia sem esperança de salvar-me.

Os olhos feridos de tanta escuridão
vêem uma fresta de luz que não alcanço
Apesar de descarnar as mãos escavando.

Não consigo ressuscitar dentro de mim
Coisas que me façam sorrir
Escrevo cartas a mim mesmo
Na esperança de que me cheguem missivas
Contando novidades de alguém que há muito não vejo
Para ter boas notícias que possa contá-Las a ti.

Quero que entendas que não provoco meus demônios
Que não açulo meus fantasmas
Nem convido essa tristeza para sentar-se na sala.
Queria que percebesses que existe vida nesse Marte
E que esse gelo poderia ser água gerando vida
Para quando chegasses para habitar-me

Não tenho palavras para confessar
Que estou exausto
E que só resta dedicar-me a mim
Para salvar algo que possa te entregar
Na tentativa de, um dia, feliz.
Por favor, entenda que se não posso amar
não é por não querer
E sim pela impossibilidade
De fugir dessa tristeza à espreita
Que ronda meus dias e horas
Aguardando o momento certo de atirar-se à presa

Que é por tal que me mantenho tenso e aflito
Para evitar a precisão do bote.
Tornei-me, infelizmente, a caça indefesa
Que apenas tenta evitar a avidez DA morte.

Não tenho palavras e se todas elas tivesse
não conseguiria traduzir nelas o idioma do medo
Que aprendo todos OS dias e apenas guardo:
Conhecimento inútil que me torna o gentio
Em terra desconhecida e nenhum amigo.

A ti pouparei de mim
Não direi palavra que soará língua estranha
Aos teus ouvidos esses meus estertores
Tentando escapar salvo e são dos temores

Não serás capaz de entender que apenas sofro
E que para sofrer assim não é preciso aflição
Ou motivo: basta estar vivo e não ter palavra
Para traduzir essa dor constante de clava
Que contunde, fere, abate, sofre mas não Mata.


27. MEDO! EU?!!!
Sá de Freitas

Sim! Tenho medo,
De ter medo de não ser amado,
Tenho medo de não ter medo,
Quando entrego-me inteiramente,
Na crença de que te entregas-me,
Não somente o corpo, mas também a alma.
Tenho medo de não ter medo de pensar que pensas,
O que não pensas;
De sentir que sentes,
O que não sentes.
Posso ouvir tua voz,
Mas não escutar teu coração;
Posso ver os teus olhos,
Sem enxergar a tua alma.
Tenho medo de ter teu corpo comigo,
E o coração distante de mim.
Não tenho medo de te amar,
Porque sei que te amo,
Mas tenho medo de pensar que és minha,
Somente por que me julgo teu.
Contudo, prefiro te amar com medo,
A não te amar, e morrer sem amor.

http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm


28. Eu tenho medo
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

Eu tenho medo de te querer,
De por ti ficar apaixonada,
Medo que me faças sofrer,
Medo de ser abandonada.

Eu tenho medo do amor,
Medo da diferença de idade
Medo que a razão venha se opor,
E me afaste de ti, sem piedade.

Por ter assim tantos medos,
Desisto de ti, sem lamentos,
Fecho a sete chaves meus segredos,
Minhas saudades e sentimentos.

Registrado em Cartório


29. Medo
Gislaine Canales
Glosando Heloisa Zanconato

MOTE:

Para os súditos do medo
as razões são sempre iguais:
Hoje...ainda é muito cedo,
e amanhã: tarde demais!...



Para os súditos do medo
a angústia é o maior dilema,
tem a força de um torpedo
com uma abrangência extrema!

São sempre iguais, as razões,
as razões são sempre iguais:
são a falta de emoções,
que não perdoa, jamais!

Sempre fazendo segredo,
não enfrenta nada, pois
hoje...ainda é muito cedo,
deixa tudo pra depois!

Se esse depois, demorar,
vendo a vida em seus finais,
o hoje, foge, devagar...
E amanhã: tarde demais!...

www.gislainecanales.com


30 EU TENHO MEDO
Angela Conde

Eu tenho medo do tempo
Que passa tão depressa.
Tenho medo de não ter tempo
De perguntar as palavras certas
Nas horas certas.
Eu tenho medo de não ouvir
As respostas das perguntas
Das palavras certas nas horas certas
Medo de não ter tido tempo de perguntá-las
Ou por ter tido medo de dizê-las...


31 TENHO MEDO
Pilar Casagrande

Tenho medo:
Das lembranças que fazem o corpo doer;
Da mentira que eu nunca perdoei;
De querer abraçar e sentir a distância;
Das tristezas que eu nunca contei;
Dos espinhos cravados bem no fundo;
Dos desamores que eu encontrei;
Das lágrimas de perda e dor;
Das coisas tolas que eu nem notei;
Da violência e da maldade;
Das inimizades que eu não procurei;
De ver infeliz a humanidade;
De lugares que nunca visitei;
De quem esquece os amigos;
Das atitudes que nunca deixei;
De perder a minha alegria;
Das gavetas que nunca arrumei;
Das palavras que nunca escrevi...

www.clirc.com.br