Cortinas do Tempo
Marise Ribeiro

As cortinas do tempo se abrem...
Vejo-me então, lá... no palco... sozinha...
E como se possível fosse também,
deslizo como sombra diáfana no espaço,
única, majestosa...
A saia em tule, abrindo-se como uma rosa
em cor-de-rosa...
A platéia silenciosa,
como se estivesse em transe,
acompanha a minha performance...
Eu não os via, apenas os sabia...
O foco de luz dançava comigo
e eu não me sentia mais só... Era meu abrigo...
Minha pele alva, com a claridade daquela magia,
tornava-me uma bailarina de porcelana.
Mais vibrantes iam se transformando
as notas musicais...
... e eu criava asas, em vôos triunfais,
deixando o cisne flutuar para a morte...
Uma explosão de aplausos em delírio
estalam na minha realidade...
Levanto-me lentamente, com dificuldade,
penteio meus cabelos brancos
com um sorriso nos lábios... diferente...
Naquela noite pude dançar novamente...
... até o fim,
e a bailarina que em mim
já há muito tempo adormeceu,
agradece-me pela noite de apogeu.

22/10/06


 

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 poema declamado por Anna Müller©

 

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