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03
UMA HISTÓRIA BANAL DA VIDA
FÁCIL
Crônica escrita por Renate
Emanuele
Vou
contar a vocês uma
história, comum nos dias
de hoje, e que, muitos de
vocês desconhecem a
realidade.
Trabalhando como
assistente social, fazendo
parte da diretoria de uma
entidade, tive o desprazer
de conhecer um mundo o
qual muito fez sofrer a
minh'alma.
As mulheres de rua da
Praça da Luz
Lá, nesta casa onde
oferecia-se, banho, a
oportunidade de roupa
lavada, uma refeição
diária, remédios,
preservativos inclusive,
ensinava-se algumas
prendas como elaboração de
trabalhos manuais, os
quais muito poucas tinham
a capacidade e fazer algo
aproveitável.
Um dia com uma menina
mirrada em meu colo, nove
anos, corpinho franzino,
perguntei o que ela fazia
ali.
"Estou com minha mãe"...
Dizia ela.
Assustada com o fato de
uma mãe ter levado a
menina para aquele lugar
fétido, nojento, continuei
assim mesmo indagando o
porquê de uma menina
naquele lugar.
Vim a saber que a
"menina", aquela criança
em meu colo, era também
uma prostituta como todas
as outras mulheres, moças
e mulheres ali presentes.
Meu coração de mãe estava
despedaçado ao ver aqueles
olhos que deveriam conter
a inocência, já
contaminados com a maldade
do mundo.
Perguntei a mãe porque ela
levava a sua própria filha
para esta vida, pois no
meu entendimento, Mãe, é o
ser que nesta vida nos
acarinha, nos ajuda a
crescer, viver, nos
protege do mal do mundo,
nos orienta, e naquele
momento percebi que isto
ali, era somente uma
demagogia, pois a mãe
desta pobre menina, como
todas as outras, que por
este mundo se multiplicam,
me disse:-
"Eu quando deito com um
homem, eles me pagam a
mísera quantia de um real
e à ela pagam dois"...
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04
Mães de Excepcionais
Humberto Rodrigues Neto
Nos longos vãos dos
corredores, ou nos bancos
lá da AACD, mães
fatigadas, mas serenas,
ao peito arrimam, sejam
claras ou morenas,
míseros filhos, mutilados,
tortos, mancos!
Precoces rugas pela
face... alguns fios
brancos
entre os cabelos, não
refletem mais que amenas
e leves provas ante as
mudas e árduas penas
de ver um filho se
arrastando aos solavancos!
Mas em nenhuma, cujo filho
é a inglória palma,
a gente nota um leve ar de
oculto pranto,
mesmo um gemido a
perturbar-lhe a altiva
calma!
É que aos pequenos
deficientes Deus quer
tanto.
que os não confia a quem
não traga dentro d'alma
o amor sem termo que há
num mártir ou num santo!
05
MÁRTIRES DE HOJE
Sueli do Espírito Santo
Diante de tamanha covardia
os mártires de hoje em dia
podem ser qualquer um
mesmo uma ingênua criança
a crueldade ataca e
alcança
não há mais respeito algum
O que se vê é só
negligência
no combate a essa
violência
que tem matado os
inocentes
atingidas a esmo, de
surpresa
por humanos de bárbara
vileza
seres irracionais e
inconscientes
http://www.sue2001.recantodasletras.com.br
06
LAMENTO
Regina Bertoccelli
Ah, quanta tristeza,
quanta dor ao ver
você, pequena criança, com
seu rosto angelical,
mas inexpressivo, perdida
pelos caminhos da vida
Olhos tristes, sem brilho,
que se fixam no horizonte,
na esperança vã de ser
tratada
como ser humano, com
dignidade e respeito
Anseios e sonhos apagados,
risos contidos, mãos
vazias e pés descalços,
mas esperançosos em sua
luta por
um pequeno espaço neste
mundo tão grande,
mas cheio de injustiças e
diferenças
Uma realidade lamentável
que aperta meu coração,
inundando-o de tristeza e
angústia
Que Deus derrame suas
bençãos sobre essas
pobres criaturas e ilumine
o coração dos insensatos
Que assim se faça!
07
MEGATENDÊNCIAS
Sérgio Diniz Barros Guedes
Flutua a guitarra
nas mãos de quem atua,
atravessando as carnes
no relâmpago musical
que pousa nos ouvidos
do modismo,
celeiro dos olhos
brilhantes,
circulando no vazio
da viagem na jornada,
onde sonha o desejo
de mastigar o desconhecido
por nada...
sguedes@hcpa.ufrgs.br
http://br.geocities.com/sdbguedes
08
A que juega la iglesia
José Luis Rolán
Cuando hay buena voluntad
El camino se endereza,
Todo vuelve a su cauce
natural
Los peces vuelven a nadar
en aguas tranquilas.
En este gran acuario del
Vaticano,
Parece sólo haber
tiburones
De color cardenal.
Sitio donde se dice mucho
y se hace muy poco.
Por mucho que la sociedad
reclame…
Hay quien viste sotanas
oscuras
Como el color de la
pediastria,
Sólo veras miradas crudas,
de durezas
Y nada más.
Es que ni caso hacen, ni a
ti, ni a mí
Y mucho menos a la
sociedad,
Se creen los reyes del
trono
Que Jesús en la tierra
dejó,
Reino de justicia y bondad
Hoy transformado por ellos
En un bacanal.
Luego se lamentan que la
cristiandad
Esta disminuyendo,
Que las chozas van
quedando vacías,
Que las arcas están
descendiendo,
¡Arcas del pueblo!
Administradas por
terratenientes herejes.
Es que no hay peor ciego
Que aquel que no quiere
ver.
Nos quieren imponer hasta
como comer.
La población pasa hambre,
Mientras todos ellos se
dan unos
Banquetes de puta madre.
A que juega la iglesia…
Qué hasta reporteros
compra,
Periódicos controla.
Parece que tanto le da que
haya guerras,
Que el sida avance,
Porque según ellos ni el
condón
Se puede usar.
“Es preferible morirse de
Sida
Antes que protegerse”.
Tantos requerimientos para
poderte casar,
Que si la partida de
nacimiento,
Que si el bautizo,
Que si la confirmación,
Que si los santos
sacramentos,
Que si los responsos, etc.
etc.
El mismo Dios es el autor
del matrimonio
Según está escrito en el
Concilio Vaticano II,
Dios creo al hombre y a la
mujer
Y los llamo Amor.
Esa es la palabra clave,
Amor.
Que se impone entre dos
seres que se aman.
Por la cual no hacen
falta, ni contratos
Ni sacramentos.
¡Ay!, y si te casas por lo
Civil
Entonces si que la
cagaste,
Estas casado pero no estas
casado,
No ves que no has pasado
por la Vicaria,
Ni te has confesado, ni
has comulgado,
Y claro, no has hecho el
pago...
El confesor queda
mosqueado
Por no saber el rollo del
porqué
Por la iglesia no te has
desposado.
Por todo esto y mucho más
Seguiré siendo cristiano,
Pero sin creer en los
inquilinos de la iglesia,
Que solo ven en mí,
Una forma de mejor vivir.
09
Mártir de tiempos modernos
Cristina Aceves Colibrí
Por las calles vocea el
papelerito,
vendiendo su periódico del
día,
sediento, y con hambre su
agonía
se ensaña en ese pobre
muchachito.
Sin hogar y explotado va
solito,
sintiendo el alma de calor
vacía,
ya no queda de el, su
lucha bravía;
de su gran fe se apago el
farolito.
El es mártir de los
tiempos modernos,
sin destino vagara hasta
morir,
al tener por familia un
explotador.
Su niñez pasa en penosos
infiernos;
Por piedad pide...Dejar de
existir!
con grito de dolor
desgarrador!
10
QUANDO NADA MAIS NOS
RESTAR
Margaret Pelicano
Quando no mundo nada mais
nos restar,
no desespero da solidão,
eternizar-se-ão as lições
de amor de Jesus...
Se sobram drogas,
resta-nos a compreensão
de Maria, e carregar a
cruz!
Ao não se conseguir
aniquilar as guerras,
ficarão as lições de paz e
bem de São Francisco!
Ao trocar-se a palavra
alegria pela
beleza do dinheiro...
...ainda haverá pequenos
ciscos espalhados
pelo do planeta - são os
ufanistas!
Quando, enfim, o ser
humano perder
definitivamente o valor de
si e do outro...
coitados dos seres
vivos...
E quando nada mais houver
de belo,
nem uma semente, nem um
carvalho, nem um bicho...
Quando nada mais tiver
jeito...
ah! meu Deus... ainda
viverão,
ou as obras,
ou os artistas!
11
Você teria coragem?
Jacques Levin
Você teria coragem
De derrubar uma árvore,
De sacrificar um carneiro,
De jogar coco
Nas águas limpas
Do mar-oceano?
Você não faz
porque é bonzinho,
Mas alguém faz
Por você.
Você teria coragem
De expulsar gente da
terra,
De tocar fogo em mendigos,
De trazer escravos da
África?
Você não faz
porque é decente,
Mas alguém
Faz por você.
Você teria coragem
De perseguir marginais
De metralhar inimigos,
De jogar bombas em
cidades?
Você não faz
porque é da paz,
Mas alguém
Faz em seu nome.
Você teria coragem
De promover o desemprego,
De aumentar os impostos,
De jogar pessoas na
clandestinidade?
Você não faz
porque não é poderoso,
Mas alguém
Faz por você.
Porque a humanidade
é assim:
Um fogo de brasas baças,
Que queima
Sem iluminar
E mancha a todos,
E toca a todos,
E a todos vai
Queimar.
Você teria coragem
De ser carrasco,
De executar o bandido,
cortar a sua cabeça,
Disparar o fuzil,
Passar a corda no pescoço,
Injetar nas veias o veneno
letal?
Você não faz
porque não tem maus bofes.
Mas alguém faz por você,
E recebe salário,
E dorme tranqüilo com o
dever cumprido.
Porque a humanidade é
assim,
Um conjunto desconjuntado,
Em que cada um faz o que
lhe parece direito
Ou o que o mandam fazer.
Você teria coragem
De morrer sem morrer,
Renunciar, dar a outra
face,
Abrir mão, doar o seu
tempo à terra,
Dividir as suas posses,
E possessões e ganâncias,
Sem olhar para trás?
Você não o faz,
E isso ninguém fará por
você.
Porque a humanidade é
assim,
Conjunto de bocas e de
olhos,
Estômagos insaciáveis,
Voraz voracidade,
Feroz ferocidade,
Veraz veracidade,
Cidades e campos fatais.
E os homens são assim,
Entre o ódio e a
santidade,
São a possibilidade
De felicidade.
Publicado no Recanto das
Letras em 22/08/2006
Código do texto: T222891
12
O PEQUENO GRANDE MARTIR
Maria Loussa
Partiste, tão cedo para a
eternidade,
Deixando uma tristeza
imensa
Vítima de uma atrocidade
De um ser humano sem
crença.
A maldade contínua,
persiste
Vidas desaparecem
Por que a impunidade
existe
E as famílias padecem.
Como é difícil para os
pais
Enfrentar essa dura
realidade
Certamente eles jamais
Esquecerão essa saudade!
Goiânia-Goiás |