Como vai, como vai, como vai...
Muito bem, muito bem, bem bem...

Tempo de Arrelia, Torresmo e Pururuca e tantos outros
palhaços que fizeram a nossa alegria.
Passam-se os anos e o palhaço continua com a carinha
pintada para alegrar a criançada.
Só a criançada? E as crianças grandes!?

Jorge Humberto relembrou o palhaço e agrade
a participação de todos aqui editados.

O Cirandas de Letras oferece o selo de participação.



Beijinhos de Carinho
Anna Müller

 

 

 

 

01- Jorge Humberto 02- Carvalho Branco
03- elisasantos 04- Adilia Monteiro Aguiar Oya
05- Antonio Cícero da Silva 06- Mário Osny Rosa
07- Isabel Andrade 08- Margaret Pelicano
09- Simone Borba Pinheiro 10- Deth Haak
11- Regina Coeli Rebelo Rocha 12- Jorge Linhaça
13- Sueli do Espírito Santo 14- Manuela Rodrigues
15- Edvaldo Rosa 16- Guida Linhares
17- Sérgio Diniz Barros Guedes 18- Cáritas Souzza
19- Marcos Loures 20- Cassia Vicente
21- Tere Penhabe 22- Domingos Alicata
23- Cristina Aceves Colibrí 24- Anna Müller
25 - Luiza Benício

 

 

 

01- O PALHAÇO
Jorge Humberto

Tem camisa listrada,
Calça remendada,
Bola no nariz – encarnada.

Sapatos como ninguém,
Sorriso ensaiado,
Bengala aqui,
Cartola do outro lado.

E é assim,
Nem tem outro alguém –

O meu palhaço desenhado,
Por mim e mais ninguém.


02- PALHAÇO
Carvalho Branco

É uma figura engraçada...
Caricata e atrevida...
Personalidade retratada
Do avesso da nossa vida...

É um palhaço!...
Conclui-se ao se observar o traço...
Mas não tem outro que lhe seja igual...
Porque cada um é cada qual...

Palhaços não se produzem em séries...
Faça sol ou pingue a chuva fina,
Mesmo exposto às intempéries,
É filósofo, reflexivo...
Do seu jeito, é muito ativo,
Cada um pensa ao que se destina...

Em sendo assim, cada um é uno,
é único... é a forma com que me puno
por quebrar regras e espelhos,
por não ver pessoas como aparelhos,
máquinas de ação pré-estabelecida,
mas sim, apenas como gente
carente,
sofrida,
desprotegida...
gente como a gente...
Alma, corpo e mente
E um grande coração,
Onde mora a emoção!...


03- Palhaço
elisasantos

Onde mora a emoção emoldurada sem ilusão
Onde as regras esfacelam-se e as normas quedam-se...
Dissociadas das máscaras que nos albergam...

Durante o dia do sono, que é uma grande noite:
Amanhece o palhaço e pasmem! Olho no espelho...
Vejo-me atrevida! Albergo, enfim, a minha própria vida.


04- PALHAÇO
Adilia Monteiro Aguiar Oya

Eu sou aquele que te encanta
e te faz sorrir!
Eu danço,cantarolo,
faço mil piruetas,requebro
e mágicas no ar eu
na sua visão te faço pular!

Para mim não existe as amarguras
e tristezas do viver,
sou só alegria!
Encanto crianças,mães,avós,
não existe idade ou tempo,
sou sempre atual,sou
sempre emoção!

De dia sou como você,
a noite me visto com alegorias
da alegria e feliz te levo a sonhar!
Sou feliz,eu sou um
iluminado,
Sou um Palhaço!!!!

2/1/2007


05- O BOM PALHAÇO
Antonio Cícero da Silva

Hoje tem espetáculo
Falava o brincalhão palhaço
Então irei mostrar o que faço
Logo mais no circo Entrelaço.

O palhaço usando pernas de paus
Atingia aos quatro metros
E em altura proposital
Falava aos meninos:"Pega aqui um ingresso."

O palhaço dançada e pulava
E em uma perna só
De todos ele muito debochava
E falava:"Sou o lindo da vovó".

"Hoje tem espetáculo
No circo na nossa cidade
Vá gastar, não faça cálculos
Estarei lá com palhaçadas e amizade."

www.paralerepensar.com.br/antoniocs.htm


06- PALHAÇO
Mário Osny Rosa

Conheci um dos palhaços
Gran-Circus Norte-Americano.
Incendiado em Niterói
Seus relatos eram horríveis.

Quando ele nos relatava
Chorava como criança.
Quando daquilo lembrava
Era uma triste lembrança.

Daquela noite as queimaduras
Em seus braços ficaram.
Como as lembranças mais duras
Quando crianças salvavam.

Lembranças do Carequinha
Quando pisava na arena.
A festa que ele fazia
Ao ver palhaço dava pena.

Registro esse episódio
Em nome dos palhaços.
Que poucos voltam ao pódio
Na arena dos circos.

A partida mais recente
Do palhaço Arrelia.
Que a todos fazia rir
Quando estava presente.

São José/SC, 8 de fevereiro de 2.007.
morja@intergate.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br


07- Palhaço
Isabel Andrade

Figura principal
Que encontramos num circo.
Há o pobre e o rico,
ambos têm um lugar
muito peculiar.
As crianças divertir
e também fazer rir
com brincadeiras e palhaçadas
muito engraçadas,
que nos divertem
e fazem dar gargalhadas
sem conseguir parar.
Com seu típico traje vestido,
Calças largas e desajeitadas
de riscas e bolas misturadas
combinações berrantes e coloridas.
Suspensórios largos e alegres,
Sapatos grandes e desajeitados
seu nariz bem redondinho e vermelhinho
a boca com branco a circulá-la
olhos vivos berrantes e expressivos
são os melhores momentos vividos
da vida vivida num circo.


08- Palhaço
Margaret Pelicano

"Cara de palhaço
Pinta da palhaço
Roupa de palhaço"

Estou cansada de ser palhaço
No picadeiro do seu coração

Estou cansada de ser palhaço
E assistir-me do camarote na confusão
dos sentimentos

Estou cansada de ser palhaço
Para você e para o mundo
Esse buraco sem fundo

"Mundo mundo vasto mundo"

Estou cansada de ser palhaço
E fingir que não vejo
o malbaratar de tantas sensações

Provocadas por um realejo
que dita a sorte minha e a dos outros sem pejo

Cansei de ver alegria, felicidade, constância
pra alguns poucos

Cansei de ver tristeza, infelicidade, inconstância
pra muitos que não sabem o que é abundância

Enfim, cansei de ser infeliz e usar máscara de felicidade
Cansei de ver a miséria e a pobreza do meu povo.

Há algo de novo?

Brasília - DF


09- O sorriso de um palhaço
Simone Borba Pinheiro

Abriram-se as cortinas vermelhas
das lonas azuis estreladas.
- Atenção garotada!...
Grita o mestre de cerimônias.
- O show agora vai começar.

E lá no alto da arquibancada
para o picadeiro a olhar,
estava eu bem sentada
com minha atenção voltada,
para o palhaço a pular.

Em meio a tanta alegria
meu coração disparava.
Meu Deus!... quanto magia
o circo me despertava.
E justo naquele dia,
mais um ano eu completava.

No meio do show, de repente,
parado a minha frente
estava o palhaço "Buzão",
trazendo no rosto, contente,
um doce e singelo presente
que aflorou minha emoção.

Nada mais bonito existe,
que o sorriso de um palhaço...
Que faz outro rosto sorrir.

05/11/2002

 

O Sorriso da Dor
Simone Borba Pinheiro


Havia algo de misterioso no sorriso daquele homem, trajando roupas coloridas e sapatos engraçados. O homem pulava de um lado para outro, tal qual macaco de galho em galho, ocupando seu espaço, no Largo da Carioca.

As pessoas à minha volta, principalmente os pequeninos, riam histericamente, da cena em que o pobre homem, além de fingir soltar gases, fingia também, uma alegria que não sentia.

Por detrás de tanta pintura, no rosto enrugado pelo tempo, no íntimo do ser humano, que todos somos, percebía-se um lamento de dor alucinante, o qual, somente os mais sensíveis, detectavam.

Havia no chão, à minha frente, um chapéu preto surrado, igual a cartola de mágico, com uma enorme flor amarela amassada, onde percebi que, as pessoas colocavam moedas e notas pequenas.

O garoto que cuidava do chapéu, deveria ter uns oito anos, mais ou menos, era magro que dava dó, muito pálido e tinha os grandes olhos azuis, marejados por um lamento de dor.Pensei então, comigo mesmo:
-Porquê esse menino está chorando, se está com o chapéu quase cheio de gorjetas?
E foi então, que resolvi me aproximar do garoto, para conversar e entender tudo aquilo.

Para minha surpresa, o garoto explicou que, era filho daquele homem, que tanto fazia os transeuntes rirem e que, tanto ele quanto o pai, estavam desolados pois, o caçulinha da família, estava muito doente, e o pai, desempregado, vestiu-se de palhaço e foi para as ruas arrancar risadas do público que, agradecido, deixava sempre, uma esmolinha no velho chapéu.

E eu que, minutos atrás, pensava em qual carro novo iria comprar, achando isso, um dilema.Envergonhado, tive vontade de sumir da face da terra, não me achei dígno de Deus e, por um momento, confesso, me senti pequeno.

Dei ao menino um cheque no valor de minha mesada naquele mês, e me retirei pensando que, a vida tem dessas facetas.
Eu sabia que, no fundo, aquele sorriso nervoso escondia algo.
E pensar que, às vezes, nos queixamos de coisas tão insignificantes!

Aquele pobre homem, na esperança de ajudar o filho doente, engoliu a sua dor e foi para as ruas arrancar risos da platéia, que alheia à tudo isso, aplaudia o palhaço triste, que sorria para não chorar!...

26/06/03
www.familiaborbapinheiro.com

 

10- A Dor do Palhaço.
Deth Haak

O ontem ao pintar o rosto, carpia em desgosto o PALHAÇO...

P pos nos lábios um sorriso, não pode maquiar a dor do amor que fugira,
I insistente a dizer-lhe fremente, ela se foi Pedreira porque ris palhaço?
C cada linha traçada no rosto enrugado, sufocava afogando a lágrima.
A alma fragmentada, lamentava a partida da Trapezista a quem amara...
D desenhando o contorno dos olhos, esboçando júbilos ardidos na dor
E entre as gargalhadas ensaiadas, soluçava o palhaço o peito em arrelias.
I ilusórios instantes, a maquiagem reflexa na imagem ria, o palhaço sofredor
R Rochinha seu nome, de calças de bolas a gravata de flor só amargor,
O ouvindo seu texto, pranteava os passos marcados que o picadeiro ceifou...

E engavetada as mágoas é hora do show começar ,onde estará seu sorriso
O onde andará meu amor, ela que ainda mora em meu peito, porque me deixou?

P partira do leito despediu-se do picadeiro só não do palhaço, e não voltou
A augure dos sonhos! Ama o palhaço declamando poemas que rabiscou
L lavrando em seus dias, ridos versos e mais versos, em recados de amor
H hílares foram àqueles dias, onde se via as fadas nas cortinas voejando
A aleluiaa dos Gnomos a saltitar a sua sina, a cada vez que ouvia eu te amo,
C corria para palco e em cambalhotas, repedia te amo! Gritando outro...
O ontem o espelho refletiu, está morto palhaço! A ela o seu ultimo espetáculo...

“A Poetisa dos Ventos”

21/3/2006

 

11- Quem é o palhaço?...
Regina Coeli Rebelo Rocha (RJ)

No espelho, uma face sem graça
Na roupa, um arroubo encabulado
Nas atitudes, uma raça sem raça
No corpo, um requebro isolado
No coração, uma dor de pirraça
Na boca, um sorriso abortado...

Vesti-me de muitas e bem vivas cores
Pintei toda a cara tal qual um palhaço
Escondi-me das estivas e das dores
Ensaiei pra mim um novo traço
Fiz de mim um boneco sem pudores
Queria dar carinhos e mil abraços!

Pulei, cantei, chorei, dancei e ri
Ri como jamais havia rido
Correndo daqui pra ali
Fazendo troça do meu umbigo
Gritei como o meu bem-te-vi
Brincando, fui meu melhor amigo!

Instantes de leveza e liberdade
A felicidade me invadiu e nem doeu
Despi pretensas verdades
Conheci a emoção em seu apogeu
Retomei a fantasia de minha vivida realidade
De novo diante do espelho, concluí:
o palhaço... SOU EU!...


12- O PALHAÇO RASTAPÉ
Jorge Linhaça

O palhaço rastapé
leva a vida a requebrar
ele é meu amigo de fé
e faz o povo gargalhar

Com ele chega a alegria
e a festa ta formada
vai juntando a garotada
e se formando a folia

A mulherada ri froxa
os homi ficam risonhos
logo começa o bate coxa
não fica ninguém tristonho

é rastapé pra lá e pra cá
num há quem de arrego
os casal num chamego
inté o dia enfim clariá

e no balanço do palhaço
os casais vão se formando
pois ninguém é feito de aço
e o que vale é ir amando

e rastapé vai se espalhando
piruetando ali pelo salão
todo mundo alegrando
com carinho e gozação.

é rastapé pra lá e pra cá
num há quem de arrego
os casal num chamego
inté o dia enfim clariá

é rastapé pra lá e pra cá
num há quem de arrego
os casal num chamego
inté o dia enfim clariá


13- PALHAÇO DA VIDA
Sueli do Espírito Santo

Roupas engraçadas, cara pintada
e a platéia fica toda deslumbrada
com suas gostosas brincadeiras
caretas, piruetas, tantas estripulias
no circo uma festança de alegrias
nas esperadas tardes domingueiras

E o palhaço com tanta habilidade
com sua arte só distribui felicidade
e parece que ri da própria palhaçada
escondendo em todos os momentos
todos os seus tristes sentimentos
guardados em sua alma desolada

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br


14- Palhaço
Manuela Rodrigues

Pobre palhaço velho
de tanto afivelares a máscara do riso,
teus músculos cansados fixaram-se num esgar estranho,
uma face de ar impreciso.
Poeta do gesto
mestre da alegoria
tiraste há muito as tintas
e por muito que a ti próprio mintas
e digas que está tudo bem,
sabes que não, que o circo já lá vai
e da tristeza estás refém.
Mas hoje, só por hoje...
vamos fazer de conta que é verdade,
que ainda estás no circo
e vamos gritar o velho grito de guerra...
“É entrar meus senhores é entrar....
O circo vai começar...
Leões, tigres, palhaços,
Cavalos e domadores...
É entrar senhoras, meninos
Entrai vós também senhores...”
As luzes vão acender,
a música já começou
e lá vai mais um desfile
onde o palhaço brilhou....
Saltam lestos acrobatas,
voam leve equilibristas,
seus corpos lembram cascatas
se soltando pelas pistas.
Quantas dores no seu voar,
quantas noites sem dormir,
quantas lágrimas derramadas
por dentro do seu sorrir!
Domadores e seus leões,
já lá vem o ilusionista,
fazendo da ilusão encanto,
e o belo malabarista
com suas esferas de espanto.
E agora senhores,
o momento mais esperado,
o mais especial de todos,
o mais desejado,
o momento da alegria,
da cor, do sorriso,
do estardalhaço
Eis que chega o Rei Palhaço,
traz a mascara bem pintada
em seu ser afivelada.,
nem de noite se liberta
nem com a arena deserta.
É palhaço para sempre
preso na fantasia
duma falsa alegria
que vende à noite e à tardinha.
E seja ele dos mais pobres
com as roupas andrajosas,
ou dos ricos bem trajados
e de roupas luminosas,
Rei Palhaço é rei do mundo
no decurso da função
mesmo só por um segundo
e em cada aclamação!
E quando hoje acabar
o cortejo da partida,
do circo de faz de conta,
fará sua despedida.
Fechará pra sempre os olhos
porá fim à exibição
fará uma pirueta
pegará na bicicleta
e partirá num balão.

Já lá vai o Rei Palhaço
rei do riso, da alegria,
vai-se elevando pl’o espaço
por dentro da poesia.

(Nellygama)
Portugal


15- AMOR AOS PALHAÇOS...
Edvaldo Rosa

Tenho amor aos palhaços,
pela sua disposição em abrir os braços,
e acolher em si a dor alheia,
como se fossem suas...
Amo as cores dos palhaços,
arco-iris que lhe vestem e revestem,
como se não houvem cinzas e negrumes
nos olhos de quem os olham...
Adoro as palhaçadas dos palhaços,
aquelas piadas que tão sem graça
aos nossos ouvidos velhos,
tem tanto encanto aos nossos corações,
que emocionados relembram nossa infância,
e nas nossas mãos de criança,
sentem estas emoções tateis...
Tenho amor e pendor aos encantos dos palhaços,
luzes a refletirem-se por um prisma de amor!
E quanto respeito tenho aos homens que se transvestem:
Conseguem ser mais do que são!

10/03/2007

*****

Chora Palhaço
Edvaldo Rosa

Por detraz da mascára,
das pinturas coloridas,
das piadas engraçadas,
com as quais colore a vida,
chora o palhaço...
Nas esquinas da vida,
nos cantos e recantos,
tantas dores, desamores,
desesperanças...
E na frente das crianças,
que talvez nem sabem das agudezas da vida,
sorri o palhaço,
faz graça, faz troça!
Longe das palhoças,
onde faltam talvez a comida,
a acolhida, de braços feito abraços,
de bocas que não se transfiguram em beijos,
e línguas, que não vibram palavras de amor...
É na frente das crianças
que se mostra o talento do palhaço:
Transformar tristezas em alegrias!
E nos caminhos de minha vida,
no dias mais tristes do caminho,
onde das flores só toco os espinhos,
que me faço palhaço,
que faço troça com meu sofrimento,
e piada do que me oprime o peito!
E saio de cena, como o palhaço,
que deixa um gosto de quero mais...
E assim, vou ao encontro de meus ais
e se choro, já não choro tanto mais...
Pois deixei em vez do pranto um sorriso,
e no ar um sentimento de alegria e paz!
Chora palhaço,
não pela dor de quem te ouviste as troças,
chores só quando, não fores o palhaço mais!
E assim já não haja para nós, uma esperança.

16/11/2006
www.sacpaixao.net


16- O Palhaço abandonado
Guida Linhares

Figura mágica que encanta
a todos com suas estrepulias,
vestido com trajes de folia,
espantando a tristeza do dia.

Hoje tem marmelada sim senhor,
num lúdico brincar a vida gira,
o palhaço adoça o amargor da vida,
representando no palco a alegria.

No entanto, quando as luzes apagam
e em seu camarim, ele retira a pintura,
sua boca apresenta o sulco do amargor,
e seus olhos tristes guardam rancor.

Na saudade da mulher amada que fugiu
com o trapezista que era mais bonito,
chora o palhaço a dor das saudades,
e da amargura de ter sido abandonado.

Santos/SP
12/03/07


17- TEMPOS DE CRIANÇA
Sérgio Diniz Barros Guedes

Aguardava ansioso,
A chegada do circo na cidade
Para alegria de velhos e também da mocidade.
Era festa!
Os palhaços em cima de pernas-de-pau
Pareciam regentes de orquestra,
Gritavam.

- Hoje tem espetáculo?
Tem sim senhor
- Ás oito horas da noite?
Tem sim senhor
- Alegra moçada?
Eh!
- Alegra moçada?
Eh!

E assim,
Seguíamos atrás dos palhaços rua afora,
Gritando a toda hora.
Era alegria geral
Descontração total
Os palhaços jogavam confetes
Distribuíam balas
Eram verdadeiras vedetes.
Sabiam nos alegrar
Ao mesmo tempo faziam a propaganda
Do circo que acabou de chegar.

sguedes@hcpa.ufrgs.br 
http://br.geocities.com/sdbguedes 


18- Palhaços
Cáritas Souzza

Somos palhaços desta vida insana
Que vestindo as cores da alegria
Tenta disfarçar a dor
Que na alma sangra.

Sorriso no rosto estampado
Alegria na voz que grita
Ignorando a lágrima que nos olhos
Reflete a insatisfação com a vida.

Somos palhaços conscientes
Nunca fugindo do espetáculo
Que se chama o amanhã
De um novo dia.

Somos palhaços que formula sonhos
Que sofre com antecedência
E que alimenta a esperança
De um final feliz.


19- O Palhaço
Marcos Loures

Quem se fez em sorrisos morre só;
Distante picadeiro, nada mais...
Talvez uma esperança, deste pó,
Para onde voltaremos; ledo cais...

No circo inda se escuta um forte dó
Num eco que a saudade, triste, traz.
A vida qual moinho, em pedra, em mó,
Devora todo sonho e traz a paz

Que nunca se deseja. Mas virá.
As máscaras da sorte se calaram,
Riso que contagia, morrerá

Nos braços de quem fora sempre um laço,
Doces recordações que se amargaram;
Num último sorriso de um palhaço....


20- Palhaço, não chore
Cássia Vicente

Palhaço, não chore
palhaço é só teu apelido
teu nome é alegria
você não é um trote
é sangue que corre
veias que saltam
coração que bate forte...

Palhaço sorria
ela está lá a lhe sorrir
abanando os braços
batendo palmas
reverenciando você...

Palhaço não chore
sua aliada, a vida
te espera fora do picadeiro
aqui você faz sorrir
lá fora você é quem sorrirá...

Jataí.GO
11.03.07


21- Palhaço
Tere Penhabe

Sou palhaço, de fazer rir me orgulho
entre eu e o mundo existe um muro
a minha alma em versos distribuo
do meu tesouro inteiro eu me desfaço.

Enfeito o meu rosto com uma lágrima
que cobre a verdadeira, que é salgada
igual ao mar, que eu amo tanto
e quiçá seja feito do meu pranto.

Num rosto amigo meu olhar passeia
perguntando se por mim anseia
porque nada além do riso eu posso dar
meu coração não aprendeu a amar.

Sozinha no meu quarto encaro o espelho
tentando descobrir meu próprio anseio
um sonho que escapou, quem sabe um dia
quando eu os tinha ainda e acalentava.

Mas nada encontro e o riso se desfaz
a lágrima se oculta, seca, ineficaz
vou pela vida buscando um amanhã
que mesmo vazio, me traga a paz.

Enquanto isso, meu riso continua
meio torto, indelicado, mal feito
mas é a oferta que tenho, e é sua.
É fácil nele crer, se você crê na lua...

Itanhaém, 07/08/2003
www.amoremversoeprosa.com


22- O Palhaço e Eu
Domingos Alicata

O Palhaço, Amigo, já vive em mim...

Tantas vezes tive que nele me
inspirar , que nossas almas
se uniram em um único sorriso.
O sorriso da vida.

E restamos um só.
Alegres, tristes, solitários...
Mesmo os mais inexpressivos risos,
encontram espaços
na nossa louca existência.

O que é a vida, senão um grande desejo
de sorrir,
de chorar,
de gritar,
de amar...

Com suas cores pinto minha máscara viva.
Disfarço sentimentos...
Busco limitar o sofrer, ampliar o riso,
desenhar uma lágrima vazia.
Entender o amor...

Nos entreatos da vida, reflito...
Reforço traços enfraquecidos...
Meus olhos, serenos, buscam cores
que disfarcem o tédio.

Enquanto a madrugada observa indiferente a chuva
que cai, forte. O silêncio, molhado, se
recolhe em mim...

Busco no eu-palhaço
o sorriso do homem que,
dividido,
a vida a representar passou...


23- UN PAYASO
Cristina Aceves Colibrí

Es mi ilusión poder verte
cada año y hacerte reír
aunque no pueda tenerte
y los dos juntos sonreír.

Aquí soy triste payaso,
desde que nos separaron
quizás fui mal padre acaso,
y nuestros lazos cortaron.

Lágrimas caen por mi rostro,
los días son largos sin ti
y de rodillas me postro,
porque no estas junto a mi.

Escondido en mi disfraz,
no podrán reconocerme
pues de todo soy capaz,
al no lograr entenderme.

Esa es mi gran ilusión,
yo soy payaso por mi hija
en pedazos mi corazón,
¡Hacia ella mi vista fija!


24- O Palhaço
Anna Müller

O palhaço somos todos
que vivemos mascarados
fingindo que somo tolos
mesmo que enganados.

Num picadeiro de ilusões
acreditando num belo sonho
numa vida de armações
como palhaço me ponho.

E penso se é melhor
pintar a cara todo o dia
ou se seria pior
de cara limpa soltar a rebeldia

Meter um nariz vermelho
e acreditar que sou feliz
e me olhar no espelho
e acreditar no que me diz

Ou abrir de vez a boca
a pensarem que sou louca
e neste circo de insanidade
pedir que haja igualdade

Que todos façam jus
pelo que trabalham e merecem
e que Deus dê uma luz
para todos que aqui padecem.

Que os ricos percam suas cartolas
que não abusem de nós, palhaços
que trabalhamos por esmolas
para sustentar a todos os ricaços.


25- O PALHAÇO
Luíza Soares Benicio de Moraes

Eu vivo no faz de contas
Invento! Amo sorrir!...
Crio uma cara nova
Uma roupa que faz rir!
Um sapato, que bicudo...
Só ele, já leva a rir!

Abril de 2007

 

 

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