Jorge Humberto agradece a todos os amigos pela bela participação
nesta ciranda.
E oferece aos amigos um brinde de recordação.
Nosso selinho de participação
que está disponível para download.zip clicando na imagem abaixo.




Agradecemos a sua colaboração.

Cirandas de Letras

 

 

PARTICIPANTES

 

01- Jorge Humberto 11- Isabel Andrade
02- Carvalho Branco 12- Nelin Monti
03- António Castel-Branco 13- Cássia Vicente
04- Mercília Rodrigues 14- Grazi Henriques Ventura
05- Joaquim Sustelo 15- Mário Osny Rosa
06- Jorge Linhaça 16- Orlando Caetano
07- Lilia Machado 17- Regina Bertoccelli
08- Pilar Casagrande 18- Antonio Cícero da Silva
09- Sá de Freitas 19- Ana Maria Marya
10- Humberto Rodrigues Neto 20- Artemisia Freitas

 

21- Marilda Conceição 22- Marcos Loures
23- Armando Sousa 24- Malu Otero
25- Bernardino Matos 26- Anna Peralva
27- Therezinha Paiva 28- Carlos magno
29- HerLânder Lobão 30- Luiza Soares Benício de Moraes

 

31- Sueli do Espirito Santo 32- Beatriz por um triz*
33- Vania de Castro 34- Vitória Paterna
35- Renate Emanuele 36- Margaret Pelicano
37- Mifori 38- Miriam Jucá
39- Angela Maura 40- Célia Jardim
41- Cel - Cecília Carvalho 42- Wilson Fonseca
43-  Alfredo dos Santos Mendes 44- Muriel Elisa Távora Niess Pokk
45- Agélica Arantes 46- @liosh@**/CIG@N@**
47- Maria Loussa 48- Sérgio Diniz Barros Guedes
49- Edvaldo Rosa 50- Natalia Vale
51- Teresa Cordioli 52- Monica Heinen

 

 

 

Poemas

 

 

01- O VELHO SENTADO
Jorge Humberto

Num vão de escadas sentado
Um homem bebia algo quente
Pisando chão sagrado
O murmúrio era agora silente.

Pessoas passavam para cá
E para lá, agasalhava-se
O velho com aquilo que há
E assim aprumava-se.

Os candeeiros largavam as suas
Luzes, e o velho resplandecia
Não eram dele eram tuas

Reminiscências dum passado inútil
Que fez de ti uma alvenaria
De qualquer coisa vil e fútil.

06/01/07


02- VELHAS IMAGENS
Carvalho Branco

O velho sentado é quase ninguém...
Parece colado às escadarias...
Rumina o que bebe, quem o provém?
Estar morto ou vivo, quem saberia?...

Vão as pessoas ao templo sagrado...
Envoltas em mantôs, bem aquecidas...
O velho maltrapilho, enregelado...
Suas lembranças, já quase perdidas...

Sombras de vida vagam pelas ruas...
Da luz dos candeeiros ou do velho?
Minhas lembranças também rotas, nuas,

A se esgueirar, esconder na alvenaria,
A esquecerem das mágoas que eu espelho...
Se pudesse, também esqueceria!...

06/01/07


03- O VELHO INVISÍVEL
António Castel-Branco

Um velho sentado é tão invisível
que parece esculpido em arte crua...
e ninguém se detém... será possível
que não chegue o grito às gentes da rua?

Está todo encolhido e permanece
embrulhado em papéis, cartões, jornais...
das lembranças felizes não se esquece,
pois prefere olvidar as mais actuais.

Continua a dormir nessa sacada,
escondido na sombra envergonhada
de quem nunca o ver quer, pois esquecida

deste mundo tão triste de quem sofre,
guardar prefere o amor em belo cofre
do que escutar as farsas duma vida.

07/01/07


04- Onde estão ?
Mercília Rodrigues

Onde estão as crianças das praças ,
a algazarra da juventude ?
Por que dói tanta a quietude
da saudade que maltrata ?

A casa sem perfume de flores,
os jornais envelhecidos ...
A cama desfeitas em cores
de amores não esquecidos .

A solidão que permanece,
deixa o gosto de bolor,
num longo dia que esquece
de que se foi, da vida, o amor ...

A sombra que se lhe encobre,
esconde uma lágrima silente,
de quem se perdeu como pobre,
num coração indigente !

mercilia.rodrigues@terra.com.br
07/01/07


05- VIDAS
Joaquim Sustelo

Uma esperança morta...
No vão duma porta
Descansa um velhinho;
Um pobre mendigo
Sem lar, sem abrigo,
Sem ter um carinho

Cabelos enormes
As barbas disformes
Um olhar bem fundo
Seu corpo fenece
Tão magro, parece
Não ser deste mundo

Um velho chapéu
As pernas ao léu
Que a calça está rota
Um casaco velho
Por sobre o joelho
(O frio se nota...)

Mas pouco descansa
Suportando a lança
Que a vida lhe deu
Já nada o conforta
Nem o vão da porta
Nem pensar no Céu

Lamentando a sorte
Vai pedindo a morte
Rezando orações
Vida triste, ingrata
Bem perto um magnata
Vive com milhões!

Conforto diferente...
Um na fome sente
De gosto profundo;
Outro, cheio, dorme
Oh que fosso enorme
Se cava no Mundo!


06- O Velho Sentado
Jorge Linhaça

O velho sentado,numa escada qualquer,
a sofrer a solidão dos excluídos
esperanças rotas, sonhos puídos,
esgarçada vida,sem nenhum viés.

Que por ti olha, ó velho sentado,
a oferecer-te um caldo quente,
enquanto por ti passa tanta gente,
apenas a ver um mendigo jogado !?

Tantos anos te pesam no lombo,
tantas coisas fizestes e viste,
que causariam a outros assombro

tantas bandeiras empunhaste em riste,
hoje te restam apenas escombros,
embotados no teu olhar triste.


07- DURMA, MEU VELHO!
Lilia Machado

Sombrias escadas que servem de casa
Ao velho sentado amargando a vida
Que bebe aguardente pra aquecer o frio...

Transeuntes que passam e nem observam
Que o velho sentado nas escadas sombrias
É irmão que hoje sofre as agruras da vida.

A luz que dolente ilumina o velho mendigo
É a mesma que ilumina aqueles que passam
E ignoram o velho carente de tudo.

O frio que arde na pele do velho
É o único bem que lhe resta,
Pois se sente o frio é porque está vivo!

E como quem não quer nada
E nada a vida lhe proporciona,
Pega os jornais que embrulham comida
Se enrosca nas letras e se esquece da vida.

Papelões que foram caixas de utensílios
Generosamente lhe ampara a barriga,
Lhe suporta o esqueleto arrepiado de frio
E dorme o velho nas letras das caixas
Esquecido do mundo e da vida...

Durma, meu velho!
Durma e sonhe que tudo é mentira!


08- ENVELHECER
Pilar Casagrande

Como cai sobre o dia que resplende,
A negra e densa noite sem luzeiros,
Eis que a sombra dos anos já se estende
Sobre os teus olhos, antes, tão fagueiros.

Como sobre os ideais alvissareiros
Cai a torva descrença e a fé se rende,
Aos primeiros sintomas traiçoeiros
Da velhice fatal, teu corpo expende.

E a flor que tanto garbo ensimesmara,
Iludida, resignada, na mentira,
Que a fugaz vaidade eternizara.

Pende murcha, no amor que se evadira,
Na verdade cruel que a esperava,
No desejo de amar que sucumbira.

09- ETERNAMENTE JOVEM
Sá de Freitas


Há muitos que supõem, porque chegou a idade,
Qua já não devem mais amar com romantismo,
Pois acham que o vigor se foi com a mocidade,
E agora só lhes resta o triste reumatismo.

Só pensam em diabete, em dor, hipertensão;
Só falam de doenças, rugas e canseira...
Esquecem-se do amor que há no coração
E aguardam, com temor, a hora derradeira.

Não creio que a velhice seja a despedida,
Do romantismo e nem das horas amorosas,
Porque inda há paixão, desejo... e existe a vida.

Portanto não me importo que me desaprovem,
Por eu ainda amar e dar buquês de rosa,
E por sentir minha alma eternamente jovem.

http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm


10- Rabiscos
Humberto - Poeta


Citar-te as que amei bem ou que amei mal,
é ler-te o livro que o meu fado escreve,
com temas fortes ou de enredo leve...
romances sem princípio, nem final....

E nesse livro, num repente breve,
também te inscreverias, afinal,
na personagem da mulher fatal
que o meu desejo a pretender se atreve.

Mas há entre nós alguém que a sorte há posto
a inibir-me os assédios que refugas,
e a quem dizes amar, pra meu desgosto...

Meus olhos secas, porém não enxugas
as lágrimas que escorrem destas rugas,
que hoje vês rabiscadas no meu rosto!


11- VELHO?
Isabel Andrade


Que significa a palavra VELHO?
que deixou de ser útil
ao País e à humanidade?
Que deixou de poder fazer algo?
Que passou a idade de sonhar?
Que empata os familiares?
Por isso são abandonados em lares
sem condições para ninguém viver.
Ou então pelas suas pelos seus próprios filhos,
mendigando um pouco de pão?
Mas não deixam de querer a sua reforma
e os poucos tostões que amealharam.
Que como não são úteis se lhes fecha as portas?
SER VELHO é razão para se abandonar,
tal como muitos fazem aos animais....
Será que não são seres
que de mais carinho precisam?
De mais do que nunca uma palavra de conforto
uma palavra amiga
que lhes dê ânimo para a vida continuar,
até a morte os vir buscar.
SER VELHO È SINÔNIMO DE SABEDORIA
DE CARINHO


12- Éramos Dois
Nelim Monti


Quanto amor!
Depois, chegou você, você e você.
Quanta alegria!!
Mas...também quantas noites mal
dormidas.
Quanta preocupação na adolescência.
Tudo era compensado,
tínhamos ganho três companheiros
para nossa caminhada
na longa estrada da vida.

Por uma fatalidade, a minha cara
metade foi chamada para cuidar
dos jardins do Paraíso.
Hoje me vejo sozinho, encostado,
despejada do meu canto.
Colocaram-me em um asilo, já estou
velho, e não sirvo para nada.
De nada adianta minha sabedoria
adquirida ao longo da minha
caminhada.
Não tenho meus filhos e netos
para poder compartilhar.

O privilégio adquirido
pelos meus filhos os conduziram
à insensibilidade, á indiferença.
Que saudade sinto dos natais
em família.
Época em que eu vestia de Papai Noel
e podia feliz ver o brilho de felicidade
nos olhinhos de meus filhos.
Tempo bom!!

Sabe... hoje é meu aniversário e
ninguém me enviou um cartão, uma flor,
ou um simples telefonema.
Não importa, fico feliz em lembrar
as carinhas lambuzadas
de glacê do bolo de aniversário
deles.
Teve uma época que cheguei a
pensar que não havia outra família
mais feliz que a minha.
Ah!! mas como estava enganada.
Hoje vejo com certeza, que existia família
mais feliz que a minha.
Famílias...
que souberam "honrar" pai e mãe e não
"abandonar."

"Honre seu pai de todo coração,
e não esqueça as dores de sua mãe.
Lembre-se de que eles, o geraram.
O que você lhes dará em troca por
tudo que eles deram a você?"

Ecle 7,27-28


13- O velho
Cássia Vicente


No banco, o velho sonha...
sentado, olhos fechados,
sorriso nos lábios enrugados
vê sua vida passar na tela da mente...
suspira saudades do que passou,
relembra com emoção o quanto amou...
uma lágrima escorre quando vê o que passou
quando, ainda jovem, mendigava por amor...
foram tempos difíceis, explicar a toda gente
que pedir por carinho não era pecado,
que mendigar alimento pra alma era seu sustento...
mas felizmente foi aceito e compreendido
quando começou a escrever sua realidade...
dali pra frente sua vida mudou, nunca mais mendigou por amor
ele (o amor), chegou e cravou seu peito como diamante bruto...
ele lapidou, deixou o brilho irradiar ao mundo, e hoje, velho
de corpo, continua aquele mesmo jovem com seu diamante
brilhando forte iluminando seus dias, que hoje, são de paz
a espera da passagem para o reencontro da outra metade
que partiu tempos atrás, deixando seu amor dividido...
era hora de juntar as metades...seus olhos abriram em outra esfera.

Jataí.Go/11.01.07


14- Eu? velha.
de Grazi Henriques Ventura


É como me sinto agora.
Idosa,
Vaidosa,
Senhora,
Valente.
Sempre contente.
Ágil ainda.
De corpo e mente.
Sempre correndo.
e ainda aprendendo
E surpreendendo,
Sonhando,
Cantando,
Poetando,
Compondo,
Dançando.
Querendo mais e mais da vida.
Sempre assim bem vivida.
Em paz com meu coração
Não muito jovem,
Mas...
Velha, não!!!

27-01-06


15- O VELHO
Mário Osny Rosa


A beira de uma estrada
Sentado estava o velho.
Da vida estava cansado
É nele que me espelho.

Por tudo que já passou
Sempre esteve a trabalhar.
Nem a idade lhe pesou
Ele sempre soube dialogar.

De toda sua experiência
O jovem parou e olhou.
Os jovens pedem clemência
E logo mesmo pensou.

Esse velho é um cerne
De tudo que já passou.
Nem mesmo que hiberne
De tudo que já tentou.

Que os jovens observem
Viver toda essa vida.
E nele mesmos espelhem
Que foi muito dolorida.

São José/SC 12 de janeiro de 2.007.
morja@intergate.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br


16- INDIGENTES
Orlando Caetano


Oh almas acabrunhadas
que habitais a solidão!
Oh sombras desencarnadas
em farrapos de ilusão!

Que tormentas carrregais
em vossas bolsas vazias,
nos andrajos que levais
tecidos de fantasias!

Paira em vós a cor da noite,
e um punhal dilacerante
vos devora até em sonhos.

Esvai-se a vida num instante:
que a morte nem é açoite
para indigentes tristonhos.


17- A FACE DA TRISTEZA
Regina Bertoccelli


Olhos perdidos no vazio.
inquisitivos, amargurados
Visão turva, amedrontada
Pálpebras que pesadas
se fecham para o mundo
Lábios constritos de uma
dor atroz, silenciando
palavras, sufocando gemidos
Face sem expressão,
estigmatizada por sulcos profundos
A pele desbotada a cobrir as
amarguras, tenta em vão
mostrar um brilho e luz
que a vida levou....


18- O VELHO
Antonio Cícero da Silva

O homem envelheceu
E sentado na escada
Quase se convenceu
Que valia quase nada.

Ele ficou tristonho
Poucas pessoas o saudavam
Viu desmoronando seu sonho
Não via quem antes o abraçavam.

Companheiro da escada
Até se parecia com uma estátua
Homem de formação elevada
Mas dos amigos ele sentia falta.

Precisando de afeto
Necessitando de carinho
Prosseguiu insatisfeito
Ficou na solidão, o velhinho.

Mas um dia, melhorou
O reconhecimento chegou
Alguém com ele conversou
E gostoso o abraçou...


http://www.saladepoetas.eti.br/academia/poetas/cicero.htm


19- O Velho
Ana Maria Marya


Triste e sozinho, lá está ele a cochilar,
sentado no seu cantinho, querendo se agasalhar.
Casaco já roto pelo tempo,
comprado nem lembra em que bazar.
Só sabe que frio e saudade,
estão a lhe matar.
Recordações acariciam seus olhos,
cheios de tristeza.
A memória desdobra-se na busca de lembranças.
Vida que deixara de vivenciar.
Em que esquina do tempo,
perdera o sonhar?
O perfil de uma silhueta, esboça esperança,
na memória que insone avança.
Sedento, a querer saciar o tempo,
levanta-se com passos firmes,
decidido no seu intento
Sai á procura de um som um perfume,
um brilho, uma estrela.
Àvido, aspira profundamente,
a buscar o cheiro da mulher amada.
Seus cabelos, seu corpo, seu beijo, seu abraço.
Carinho quente, aconchegante, desejoso, amoroso.
Saudade... quanto tempo.
Sem vacilar, decidido,
pega alguns trocados, compra uma rosa...
A mesma cor que outrora no corpo da amada depositava.
Onde estão os sentimentos,
e as doces palavras?
Ainda se lembrava, ainda os tinha vivos na alma.
Coração descompassado,
rosto pela emoção transtornado, mãos geladas.
Vislumbra ao longe, a mulher jamais esquecida..
A emoção o paralisa.
Louco de amor, louco de dor, não resiste.
Tomba na calçada.
O coração, a emoção, o leva a outra morada.
...e os que por ali passam dizem...
...morreu o velho da escada...
A rosa...a sua rosa apertada ao peito,
com ele para sempre foi levada.

12/01/2007


20- O Velho
Artemisia Freitas


Outono de uma vida.
Lembranças em traços desfolhados
Retratando a imagem da primavera perdida...
Fios prateados realçando as vestes de um tempo;
Rugas desenhadas no rosto mostrando a imagem
Que atravessa espelhos... Horizontes...
Passos lentos pastam o perfume ainda impregnado
Dos altos e baixos do seu caminho.
Sonhos esquecidos, deixados na estrada
Em contraste com o crepúsculo da sua juventude.
Hoje, no silêncio dos seus pensamentos
Transportando no vento suas lembranças,
Este velho, um menino, sábio do tempo,
Abre os braços para o passado saudoso
Desenhando curvas para um futuro sonhado.
Anjo do tempo,
Que entoa um canto triste, quase lamento
Erguendo as mãos sem força
Pulsando um coração enfraquecido...
Oh!!! anjo querido...sobrevivente das naus da vida,
Velho menino,
Quanta beleza exalada nestes olhos vazios,
Tão belo sorriso mostras nesta boca entristecida.
Em que espelho gravastes a tua face?
E por que escondes a beleza que retratas?
És néctar de uma flor
De um jardim belo e encantado
Onde nasce uma beleza que a nada se compara.
O tempo, apenas passou.
Alguns traços se formaram, outros modificaram
Mas da tua alma, nada ele levou
Não te aflijas com os anos,
Te desprende da tristeza
Esquece da tua idade
O que importa é a vida
Sempre reinventada.


21- Ingratidão
Marilda Conceição

Pobre velho!
Largaram-te no asilo,
deixaram-te no vazio, na escuridão.
Já não sentes o aconchego do lar,
a tristeza em teu rosto estampada,
marcas profundas, pele enrugada,
trêmulas mãos sem afago.
A saudade teu peito corrói,
a ausência dos teus te destrói.
Coração despedaçado,
sentes na alma o frio do desamor.
No peito a ingratidão
daqueles a quem tanto amou.
A dor que carregas em silêncio
mergulhado na solidão,
aqueles que te abandonaram,
jamais irão imaginar...
eles não sabem o que é amar!
14/01/07

22- MEU VELHO AMIGO
Marcos Loures


Cansado de esperar felicidade,
Por vezes me imagino tão sofrido...
Andando sem ter rumo, na cidade,
Caminho muitas vezes percorrido...

Meus olhos imaginam a mulher
Que foi e prometeu não mais voltar.
Espero pela dor que, se vier,
Talvez mate a vontade de cantar.

Mas logo, a tua voz meu grande amigo;
A voz de quem viveu bem mais a vida;
Quem sabe dos caminhos o perigo.

Me diz que é necessária a paciência
Meu velho me demonstra experiência!


23- Caixa de cartão
Armando Sousa


Num banco da cidade uma caixa de cartão ao lado
Um homem de barbas sujas, ali estendia a mão
Farrapos o cobriam, o homem ali sentado
Seu teto, céu e estrela, e a caixa de cartão

Estaria ali um malandro, ou um corpo ancião?
Com um copo de papel, pobre a mão estendia
Não podia trabalhar sem ter teto nem ter pão
Era a caixa de cartão que o cobria da noite fria

Perguntei

Será caso de velhice ou fazes do pedir teu viver
Disse também tive filhos, não sabia onde paravam
Troquei-os um dia, pela vida errada de prazer
Pelo que fiz e castigo... filhos o desprezavam

Terá anos? terá frio? tem de sofrer seu destino
E velho mas sem idade, a mente o envelheceu
Julgou-se ja ser homem, mas ainda era menino
Trocou felicidade que tinha, o seu tecto e o céu

Tenho idade sou idoso, de mago e minha mente
O corpo a ficar gasto, mas meu riso e de alegria
Passo a vida com prazer, de viver estou contente
Quando minha mente quer que vos escreva poesia


24- O VELHO
Malu Otero


Passei? quem sabe?
Mas, quem já não passou
Etapas, tempos... e até virou
O Século...
A maioria de nós somos
Do século passado...
Passei, é verdade
Mas, pra mim nada acabou
Pelo contrário, recomeçou
Nada Incrédulo...
Sabedor do que fomos,
A mais nada atado

Passarás, como eu passei
Continuará sendo escrita a história
Em tua presença me perpeturarei
Essa será minha maior vitória
Passei, mas em ti fiquei
Algo de mim aqui deixarei


25- VELHINHOS.COM.UNIVERSO
velhinhos
Bernardino Matos


Velhinhos.com, abriu-se um novo cenário,
a internet pôs um ponto final na velhice,
descortinou um terno e inovador itinerário,
a tecnologia deu um tapa na orelha da mesmice.

Velhinhos.com, novas dimensões, fim da solidão,
contatos com novas culturas, modernas civilizações,
uma visão dos fatos em tempo real, mente e coração,
se integram ao universo, vivências de novas emoções.

Velhinhos.com, um processo de rejuvenescimento,
num diálogo aberto, numa linguagem jovem, assim
acontece esse encontro, sem espaço pro lamento,
a alma se liberta, voa sem amarras, um amor sem fim.

Velhinhos.com, uma janela aberta para o futuro,
a sabedoria, as experiências, não mais reminiscências,
não mais histórias guardadas, mas um caminho seguro,
uma nova estrada, sem limitações, sem mais reticências.

Velhinhos.com, as crianças com seus jogos e brinquedos,
não mais serão lembranças, as distâncias se encurtaram,
as mãos que agora acariciam, ensaiam novos enredos,
as dúvidas, os temores, os remorsos, as ondas levaram.

Velhinhos.com, sem saudades, sem ilusões, sem decepções,
a vida agora tornou-se agradável, sem medo do abandono,
há tanta gente nessa nova caminhada, são tantas procissões,
eles olham para o amanhã, falam com do universo o dono.

Velhinhos.com, sem lamentações, sem sofreguidão, uma porta
se abriu para uma nova paisagem, a céu aberto, bem colorido,
um reencontro com o eterno, essa sintonia ninguém corta,
o desprezo, o descaso, não deixam mais o coração tão sofrido.

Velhinhos.com, integrados ao universo, Deus sempre quis,
a velhice sinaliza a vitória da vida, sem medo da morte,
como faz bem ouvir a voz da experiência falar feliz,
sem jamais dizer que em algum trecho faltou sorte.

Velhinhos.com, nos asilos não mais estarão isolados,
sua família agora cresceu, tornou-se enorme,acolhedora,
novos laços, novos afetos, mãos estendidas, antenados,
não importam as dores físicas, a alma agora é vencedora.

Velhinhos.com, precisam de nossa ajuda, de nossos carinhos,
de nossa aproximação, do nosso dizer, de nossas presenças,
a internet é o nosso veículo, que une todos esses caminhos,
que eles não nos recriminem, que não sofram com ofensas.

Fortaleza, 15 de dezembro de 2006.

26- O VELHO SÓ
Anna Peralva

Já fui moço, rebelde sem causa,
Vivi o encanto da hora, com futilidade.
Minha carne era tenra e a usava
Nos descaminhos da vaidade.
Minha alma era silente e crua,
No meu caminhar o egoísmo reinava.
Tudo breve, num efêmero paraíso,
O amor, em mordaças calei...
Usei sonhos, concebi desilusões.
Meus sentimentos, nunca doei,
Achava não ser preciso.
Quantas feridas fui por aí abrindo,
Na credulidade dos vários corações
Onde fluíam pureza e fantasias.
A tudo e todos fui destruindo, desatento...
Usei e abusei da sorte
Num plantio sem terras
Colhi trigo, plantei joio.
Iludindo e iludido
Esqueci a fugacidade do tempo,
Não senti o cheiro da morte.
Perdi-me nas entranhas da mentira,
Sem da verdade ter apoio,
Não percebi pessoas de mim fugindo.
Fui caindo, das alturas aos escombros
Dos meus ledos enganos.
Ser maltrapilho, andarilho ...
As sombras obscuras dos meus atos,
Rondam meus arrastados passos.
Perdido o brilho do olhar, em crescente agonia,
Pesa-me os erros aos ombros.
Perambulo pelas ruas da cidade
Recolhendo sobras de comida,
As mesmas que já neguei.
Mendigo algumas moedas
Para saciar a sede, molhar a boca,
Alguns fogem da figura rota,
Como também eu as reneguei;
Outros, por piedade, fazem sua boa ação,
Aos que esmolam, à margem da sociedade...
Só, sento-me no degrau da escadaria,
Cansado, sujo, envelhecido!
A matéria se definha em trapos,
Brinquei de viver, quando jovem...
Reflete minha opaca existência
No espelho d’água, quando chove.
Como fui fútil, inconseqüente e tolo!...
Inda guardo um antigo retrato
Para lembrar-me que é vitorioso
O ser simples, humilde e consciente;
Minha voz se cala, tudo é tão distante
Daquela imagem fria e sorridente.
Amargurado em lembranças,
Não tenho como resgatar a magia do instante.
Remexo nas cinzas, espalho do orgulho, o pó...
Desce a noite sobre o dia,
Num outono desprovido de esperança
A solidão é escura e fria.
Chora um velho pobre e só...

16/01/2007
 

27- Velhos
Therezinha Paiva

Sou velha,
amo a poesia,
mas não as escrevo.
A velhice não é boa,
somos discriminados, sim,
e a solidão bate
se não tivermos
um imenso cuidado.

Obrigado por me incluírem
na ciranda dos velhos,
sabendo que apenas lerei
e coisa alguma escreverei.
 

28- Velhice
Carlos Magno Maia Dias

O diabo não é sábio porque é diabo;
o diabo é sábio porque é velho.
E na velhice plena em que me encontro
nada me dói mais que os arrependimentos
do que não fiz e teço loas, às loucuras,
que me acompanham como tormentos
porque não dá tempo de fazê-las mais.

A vida é uma doença terminal e a velhice
é apenas uma redutora de possibilidades
e convivemos mais com a estultice
de manter intactas todas as saudades.

Este é o grande erro de envelhecer,
conviver com a memória e o passado
e ainda sendo forçado a reconhecer
que muito mais poderíamos ter errado.

Quantos erros evitei, dúvidas, vacilações
e hoje que poderia cometê-los com prazer
restam-me a lembrança, desejos, intenções,
enquanto aguardo o consolo final: morrer.


29- Velho…velhinho
HerLânder Lobão

Sentado, em seu silêncio calado
abre em leque as suas recordações,
em vivências já longe no passado,
vai desfolhando todas as emoções.

Sente-se mesmo só, acompanhado,
é a companhia de quem está sozinho,
perdido em suas pétalas de carinho,
faz presente o que lhe foi passado.

Chamam-lhe velho, outros de velhinho,
nenhuns ou raros os gestos de carinho,
para entender o que lhe vai no coração.

Ao recordar sente a primavera florida,
desabrochar no Outono da uma vida
lavrada em campo de saudade e solidão.


30- VELHO
ao meu marido
Luiza Soares Benício de Moraes

Sou velho na idade
Pois em abril, vou para os 73!...
Meu corpo ainda é bem forte,
As minhas forças também!
Na mente, conhecimentos...
Tudo funciona bem!

Consertei meu motor de popa
Alegrei meus netos então,
Levei-os aos arrecifes
Onde brincaram sem tensão!...

Trabalhei na caixa d’água
Derrubei sete coqueiros
Cavei mais um poço d’agua
Prevenindo o carnaval!
Mas, a água não deu boa.
Desta vez eu me dei mal!

Os ventos colaboraram
Velejei meu lazer então
Também passeei de barco
Com meu amigo grandão

Mas, p’ra não ser tudo bom.
Fiquei tonto algumas vezes!
Queimaram-se alguns neurônios
Da minha instalação(?)

Exames e mais exames...
Coração? Não! Tudo em ordem!
Carótidas? Não! Negativo!
Agora um neurologista!...
E mais um resultado em vão!...

Querem mais um outro exame
Desta vez um otorrino ou laringologista?
Suspeita de labirinto?
Ih! Isto é coisa de “bordados”
De rendeiras do Ceará!

Mas, lá fui fazer o exame.
Queira Deus agora acertem
E me consertem o fusível
Para que eu me acenda!
Desse transe de Apagão!

janeiro, 2007-01-16.


31- UM TRISTE VELHO
Sueli do Espírito Santo

Sua juventude ficou no passado
perdida nos tempos de outrora
tão distante do tempo de agora
apenas mais um velho cansado

Cansado e pobre, em farrapos
com o coração tão entristecido
ao léu, na noite fria esquecido
adormece o corpo sob os trapos

E há tantos outros abandonados
cambaleando pelas ruas da vida
com uma esperança escondida
que um dia sejam lembrados...

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br


32- Velho Imortal
Beatriz por um triz*

O velho está presente
em todas as minhas conquistas
nas teias que a vida tece
no me afastar da cobiça

na velha poltrona de canto
no encanto que a família traz
no enxugar do meu pranto
do desistir é o jamais

O velho que está presente
no sangue das minhas veias
na luta pra ser decente
na saudade tão evidente

O velho que é imortal
que da memória não sai
é quem me livra do mal
e a quem chamo de pai


33- Meu velho sentado
Vania de Castro

Um velho sentado
Traz velhas imagens
Imagens invisíveis
Onde estão?
Onde?
Guardadas num canto
Qualquer da memória
Sem glória

Enroladas num canto
No banco
Da esquina
Pertencem ao velho
No banco sentado
Seu olhar perpassa a parede do mundo
E vai longe
Mais distante que o sol

Ah...mas a vida... a vida...
Há vida num velho sentado no banco da esquina
Há vida!!
Num velho sentado, sujo, magro,
Maltratado, humilhado
Seu corpo coberto por um trapo imundo
Parece das trevas oriundo
E seu olhar...ah... seu olhar ...

Num mundo
Imundo
Raimundo
Me olha profundo
Fundo
No fundo
Raimundo, meu velho sentado
Você só quer afeto, alimento, abrigo e um abraço

www.vaniadecastro.com.br


34- O velho no espelho
Vitória Paterna


O velho no espelho bem sabe das notas
Que, na contradança das horas, o tempo marcou.
Lembranças...
Chegaram tão cedo, ainda sonhava.
Amores...
Ritornelos tristes de antigas canções.
Desejos...
Balões esvaziados nas mãos retorcidas,
Projetos...
Só a pele enrugada e grossas veias azuis.

E as coisas guardadas haverão de apagar-se...

As esperanças,
Desnorteadas de portos seguros,
Aquietaram-se.
Sem verão,
Emudeceram as andorinhas,
Esquecidas das ilusões.

E as coisas guardadas haverão de apagar-se...

O velho, na alma, calado sustenta
O olhar inocente de alegre menino,
O choro da amada por mais um talvez,
As rugas sofridas do pai e da mãe,
Mas hesita escrever o último verso,
Teimando que a vida ainda surpreenda.


35- MARCAS DO TEMPO
Renate Emanuele


Não olhes para minhas mãos cansadas
Elas só marcam o tempo que eu vivi
Nem contornes as rugas que não pedi
Lembranças de lágrimas derramadas

Estas mãos denotam toda a aspereza
No esforço do trabalho que já fizeram
Lembra-te porém do carinho que deram
E quando elas te tocaram com leveza

O carinho que hoje posso te oferecer
Jamais outrora tão suaves elas seriam
Pois estas mãos que agora te acariciam
Trabalhavam desde cedo ao anoitecer

Não repares meus olhos turvos agora
Falam das alegrias dos doces amores
Na juventude foram reais primores
Que o tempo um dia levou embora

Não olhes meu andar trôpego, vagaroso
Procure neles o sinal da fé e a devoção
Pois meus joelhos dobrados em oração
Pedem também por ti ao Deus amoroso

Do viço não retenhas tua vista a falta
Que o tempo insiste em mim estampar
O que deve o teu coração contemplar
É a beleza que o próprio tempo exalta

A sabedoria que a prata no cabelo faz
Só o tempo corrido pode nos ensinar
Paciência o tempo pode acrescentar
Nos valores que nos transmitem a paz
 

36- Homenagem ao Sr. Chico Risada
Margaret Pelicano

Não sei se seu apelido vinha do seu quase eterno sorriso!
Pois na hora de emudecer, ficar sério, ele agia para o bem de todos...
ah!...o sorriso, lá se ia
e a seriedade virava cidadania!

Tinha um pequeno terno de congo!
Homenageava os santos de 26 a 30 de dezembro todo ano:
Nossa Senhora do Rosário,
São Benedito,
Santa Efigênia,
São Domingos,
Santa Catarina,
São Jerônimo...

Nunca o conheci moço.
Sempre idoso em minhas lembranças,
mancando de uma perna,
enfrentando Monsenhor Manccini
que fez de tudo para acabar com as Congadas de minha terra!

Ele nunca cedeu.
Houve épocas em que poucos saiam de rei ou rainha conga
para pagar suas promessas...
não havia quem os conduzisse à igreja,
nem o folclore, nem as caixas primitivas,
nem pandeiros, nem chocalhos, nem dança afro/brasileira...
nadinha...

Só restava um terno de Congo,
mas ele saía! Com poucos componentes! Mas saía!
Levava para a igreja quantos podia!

Feliz da terra que tem suas tradições,
que não deixa o progresso ilusório das aparências
destruir culturas milenares,
histórias do povo mineiro!

Feliz de quem pode contar
que viveu e conheceu
um homem com o apelido de Chico Risada!

Brasília - 19/01/2007


37- O IDOSO
Mifori

"Envelheci. . .
Fiquei debilitado. . .
Me ajudaste. . .
Me amparaste. . ."

O ideal é ir de encontro ao idoso,
Vendo nele o Cristo envelhecido.
Por seus feitos ser agradecido,
Com compaixão e de modo afetuoso.

O idoso merece toda a nossa atenção.
Sem preconceito ou mera filantropia,
Requer tratamento com amor e alegria,
Por seu legado e por ser nosso irmão.

Pensamento: “Preparar-se para envelhecer é importante
e isto implica na adoção de um estilo de vida saudável”

http://geocities.yahoo.com.br/mifori_poemas/index.htm


38- VELHO SENTADO
Miriam Jucá

Passava sempre por alí.
E lá estava ele, sentado
naquele banco, cabeça baixa
como se mais nada o agradasse.
Um dia parei, sentei a seu lado
e perguntei o que o fazia ficar
sempre alí, no mesmo horário.
Ao olhar para mim, vi bondade,
vi emoção ...
Esperava sua amada que,
um dia voltaria.
Seu olhar triste e bondoso
cheio de esperança, mostrava
firmeza no que dizia...
Já alguns anos se passaram
mas ele não desistiria, pois
sabia que ela viria e não
demoraria,..
Viria buscá-lo para juntos
seguirem um novo caminho
entre as estrelas e o arco-íris.


39- O Velho Sentado...
Angela Maura

Longe, lá... muito além...
na Terra da Amizade,
Há um coração de um velho,
destruído pela saudade...

Aquele velho,
aquele ali sentado...
É um homem muito humilde,
que um dia ficou apaixonado...

Que pena precisar lembrar disso,
lembrar-me dessa tortura...
Mas aquele Velho ali sentado,
guarda em si muita amargura...

Ele pensa na vida,
pensa no mundo,
pensa em como vale
cada segundo.

Cada atitude, já foi feita...

Cada palavra, já saiu da boca...

Cada sentimento, já foi sentido...

Então, no que o Velho pensa?

Naquele coração amargurado,
há uma história de um homem abandonado...

Assim como cada atitude,
cada palavra,
cada sentimento,
já se foram...

A mulher que o Velho homem amava,
acabou indo junto...
 


40- EXPERIÊNCIA
Célia Jardim


Talvez pensasse
ou recordasse
ninguém sabe o que sentia
o que diria
se alguém perguntasse
Seria cansaço
de tantos passos
talvez hoje sem razão
Seria solidão
resignação
ou apenas meditação
Por que sorria
seria alegria
e se chorava
o que lamentava
ou seria só saudade
Quem sabe fazia uma prece
agradecendo o que não se esquece
no silêncio do seu coração
Nas calçadas e nas praças
por onde tanta gente passa
lá está o velho sentado
O que pensará ele, desta gente
que nem o nota e segue apressadamente
Ele não julga, é sábio
venceu com o tempo
perdoa e compreende
observando a vida simplesmente

41- O velho sentado
Cel - Cecília Carvalho

Sentado, o velho remoia lembranças
que divagavam em seu pensamento
num ir e vim infinito
relembrando momentos bonitos
vividos com amor e emoção ...
E lembrou suas donzelas
cada uma mais cheirosa e bela
tímidas, rubras de pudor e no coração
amor guardado e solidão ...
E lembrou os beijos roubados
tão simples, fugidios e tão raros
sua boca molhou os seus lábios
como se assim pudesse matar a saudade ...
E o velho que sentado estava
rolou seu olhar a seus pés
e deixou escorrer uma lágrima
que foi regar suas andanças, tão cheias de esperanças
que se foram e não voltam mais ...
 

42- O Velho sentado
Wilson Fonseca


Quem conhecia, o velho sentado,
Sabia das estórias, por ele contada,
Do tempo que hoje, é só passado...
Da vida elegante com a namorada,
Do carro conversível, branco e cupê,
Comprado na europa, por ele importado,
Das belas festas no Jockey Clube...
Onde havia beleza, e mais puro glamour,
Seus lindos cavalos puro sangue inglês,
Que ele acompanhava, em todos Prados,
Não importava a distância, nem o país...
Viaja em avião, com seus belos animais,
Hoje, quem o vê, sentado e muito quieto,
Com roupas surradas de velho linho...
Sapatos tortos sem o brilho do verniz,
Chapéu panamá, com falhas na aba,
Tem logo a impressão, que o pobre ancião,
na praça sentado, era um sonhador...
Mas quem conhecia, todo seu passado,
E ouvia as estórias, por ele contada...
Ficava imaginando, o que teria acontecido,
Com toda a fortuna que tinha adquirido,
Ficava solitário na praça esquecido,
E quando fala dos dias de agora, chora...
Em se vêr abandonado, num asilo internado,
Nem sabe, o que restou de sua fortuna.

Rio Grande, 19/01/2007
 

43- JUVENTUDE DISTANTE
Alfredo dos Santos Mendes

Oh tu pimpão requintado,
não olhes p’ra nós de lado,
guarda tua presunção.
Tua pele aveludada,
ao pé da nossa enrugada,
vale menos que um tostão.

Se a tua pele tem beleza,
a nossa tem a riqueza
dos muitos anos passados.
Não julgues ser patetice...
Orgulhamos a velhice,
e os sonhos realizados!

Por teres muita instrução,
não tenhas a ilusão:
não estarmos à tua altura...
Na nossa simplicidade,
nós temos muita vaidade,
somos poços de cultura!

Nós somos mestres da vida!...
Muitas vezes conseguida
à custa de sofrimento.
São muitos anos passados!
Estamos velhos? Reformados?
Te juro: não há lamento!

Vivemos ao nosso jeito.
Sempre fiel ao preceito,
respeitar o semelhante!
P’ra nós não há gente idosa.
Mas gente muito orgulhosa,
da juventude distante!

Chegámos até aqui!
E tu que será de ti,
se não paras p’ra pensar?
Tem cuidado meu amigo.
Não te exponha ao perigo.
Excessos podem matar!

Segue pois o meu conselho:
Fixa bem o teu espelho,
olha bem a tua imagem.
Goza a tua mocidade,
pois chegado à nossa idade,
só verás uma miragem.

Cãs, irão aparecendo.
Faculdades vais perdendo,
não és o jovem de outrora.
Decerto não vais gostar...
Que te passem a chamar,
o que nos chamas agora!

Aconteça o que aconteça...
Os anos passam depressa,
a juventude também.
De repente olhas p’ra trás...
Deixaste de ser rapaz,
és um velho sem ninguém!

Te enviamos um beijinho.
E juntamos com carinho,
O voto que a Deus rogámos:
Deus te conserve a saúde.
No espírito a juventude.
E chegues onde chegámos!

Lagos, 11/02/2001


44- O velho
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

O velho sentado em sua cadeira,
Pensativo, na porta fuma seu pito.
Não quer papo nem brincadeira,
Quer ficar ali, pensando sem agito.

Cansado pelos anos decorridos,
Fica a lembrar de sua história distante,
Dos momentos bem vividos,
De quando, da vida, ainda era amante.

Seu olhar no horizonte vai se perder,
Fica vago e constante assim,
é como se ele estivesse a rever
sua existência, Tim-tim por Tim-tim.

Registrado em cartório

45- O VELHO SENTADO
Angélica Arantes

O VELHO SENTADO
A BEIRA DO CAMINHO
OS VIAJANTES PASSAVAM
E O CUMPRIMENTAVAM SORRINDO

UM DIA UM VIAJANTE
RESOLVEU O ABORDAR
QUE FAZES AQUI TÃO SOZINHO?
MINHA HISTORIA VOU LHE CONTAR

SOU UM VELHO ABANDONADO
PELA SOCIEDADE MALDOSA
QUE NÃO RESPEITA MEU PASSADO
QUE VIVI NUMA LUTA GLORIOSA

LUTEI POR ESTA PÁTRIA
QUE PENSEI SER O MEU LAR
MAS A MALDADE QUE ASSOLA O MUNDO
HOJE COM TRISTEZA ESTOU A CONTEMPLAR

QUERIA VOLTAR AO PASSADO
BELAS RECORDAÇÕES TRAGO COMIGO
MAS A TRISTEZA QUE TRAGO NO PEITO
TRANSFORMOU-SE EM MEU CASTIGO

POR ISSO ME SENTO
A BEIRA DESTE CAMINHO