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SIMONE BORBA
PINHEIRO
***
A Força do Amor
Naquele dia em que
te vi pela
primeira vez,
senti que meu
destino estava
então traçado.
De lá pra cá,
muito tempo passou
Embalado nas
canções românticas
da jovem guarda.
Abrimos e fechamos
muitas portas e
janelas a procura
dos
sonhos impossíveis
que sonhamos e os
quais, alguns
realizamos.
Vimos todos os
filmes que a vida
apresentou,
enriquecendo
assim, nossa
experiência de
vida.
Muitas vezes,
fomos os
produtores,
noutras os atores,
encenando assim,
nossa própria
estória.
Pincelamos a vida
com todas as
cores,
distinguindo bem
as claras e as
escuras.
Provamos todos os
sabores, do doce
ao amargo,
tirando proveito
de cada
gota,sabendo que o
fel, às vezes,
faz-se necessário
no amadurecimento
do frágil ser
humano.
Choramos,
sofremos,
sorrimos,
exultamos de
felicidade,
não importa como,
nem quando, nem
onde, importa sim,
que vivemos todas
as emoções sempre
juntos, por que
o amor que nos
uniu um dia foi
forte o bastante
para chegar até
aqui,
com as marcas de
quem se doou por
completo, de quem
amou,
de quem viveu!
Juntos, sempre
juntos!
Data:12/ 06/ 03

Chibata, Chicote,e
Açoite
Marcados a ferro e
fogo
na pele lisa,
brilhante,
narrando a
história de um
povo
que soube seguir
adiante,
matando no peito
as injustiças
sofridas de boca
calada,
salgando as costas
feridas
dos açoites, das
chibatadas.
Negro da cor da
noite,
em senzala,
acorrentado,
nascido de negra
bonita,
pelo branco
maltratada.
Com altivez e
coragem
próprias, de quem
sofreu,
carrega nas costas
largas
as dores todas do
mundo,
sem que por um
segundo
se ouça um gemido
de dor.
Negro, foi o
destino
cruel e
traiçoeiro,
deste povo
guerreiro
que mesmo se
curvando
às regras da Casa
Grande,
manteve no peito
acesa
a chama da
esperança,
e como qualquer
criança,
não desistiu de
lutar.
O patrão branco,
recatado,
devoto de
desconfiar,
era pai de muito
negro,
com lágrimas
derramadas
em noites de
amedrontar.
Mas, negro nascido
em senzala,
não podia dizer
não,
cavava a própria
vala
chamando de pai o
patrão.
Negro, domado a
castigo,
trazia desde o
berço,
as amarras do
destino
traduzido em
chibata, chicote e
açoite!...
Data: 19/09/03

A Vida é Assim
A vida é um
aprendizado,
num tempo de ir e
vir.
Caindo, para
depois erguer-se,
erguendo-se, para
prosseguir.
É uma fração de
segundos,
pintando todas as
cores,
sabendo-se que
neste mundo,
muito poucas são
as flores.
A vida é um piscar
de olhos,
onde tudo
acontece,
até pra quem não
merece!
A vida é um grande
mistério,
indecifrável pra
mim.
Talvez por ser
assim: mistério
sem fim!
Data: 11/08/03

Praia Morena
Praia morena, de
seios fartos!
Duas montanhas
esculpidas
na encantadora
mata virgem
de trilhas
sinuosas e
convidativas
onde ecoa o cio da
terra
em ondas
vibrantes,
acariciando a
areia
que pelo prazer
dominada
ao mar se entrega
em devaneios!
E a praia morena
faceira
sabendo ser a onda
passageira
busca alcançar num
abraço
as profundezas do
mar que a domina.
A natureza sábia
decreta
a coexistência de
mar e areia
deixando o cheiro
do amor espalhado
nas sinuosas
trilhas
da praia morena.
Data: 12/04/05

Boca Maldita
Eu me sustento nas
palavras
De tua boca torta
indecente
Sem saber que em
tua mente
Mentiras dormem
cansadas
E os dedos das
mãos gatunas
Todos eles
aleijados
Roubaram meu
coração
Que se deixou ser
levado.
Nas horas
impróprias penso
Por que me permito
o deleite
Dessa língua
ensandecida
A passear por meu
ventre.
Respostas
desaforadas
Gritando
obscenidades
É tudo o que
obtenho
Da mente que cala
e consente
Às vezes sou fogo
e sou gelo
Em total
antagonismo
Sabeis dizer, boca
maldita
Que maldição vive
em mim?
Vou esperar em
agonia
Que essa perna
manca faceira
Percorra o mundo
em pesquisa
Trazendo as
respostas pra mim.
Data: 01 / 12 / 04

Vamos salvar a
Amazônia
No coração do
mundo,
nas profundezas do
centro da terra,
emerge o mais
precioso dos
tesouros:
Uma Floresta
Encantada!...
Os espíritos da
floresta, à noite,
entoam hinos de
louvor á sua
existência.
A mata verdejante
e misteriosa,
derrama lágrimas
peroladas quando
ceifada.
Aves assustadas
tingem o céu de
negro.
Jacarés e
vitórias-régias
formam lindos
tapetes aquáticos.
E o povo que ali
habita, pede
socorro,
bordando anéis de
fumaça no céu da
mata.
Pois a floresta,
aos poucos, vai
desencantando,
perdendo o brilho,
a cor, a vida...
O homem mau abriu
caminho floresta
adentro
empunhando nas
mãos a mortal arma
de lâminas frias e
afiadas,
matando a vida na
Floresta
Encantada.
Os seres da
floresta pedem
socorro.
Vamos salvar a
Amazônia
da derrubada
indiscriminada da
mata,
da matança
descabida e
gananciosa
dos animais que
ali habitam,
das doenças do
povo da floresta
que indefesos
tombam sem
auxílio.
Rios e igarapés
choram lágrimas
poluídas.
É a morte chegando
lentamente
ao coração verde
do planeta...
Uni-vos com braços
fortes,
em brados
retumbantes...
Vamos salvar a
Amazônia,
a Floresta
Encantada.
Data: 14/01/03

Marcados Pelo
Destino
Pelas ruas,
perambulando,
de pés descalços,
maltrapilhos,
fedendo a fumaça e
cheirando cola,
pão, dinheiro e
carinho,
mendigando,
os filhos da
miséria humana
para da cruel
realidade, fugir,
de drogas se
entorpecem
e debaixo de
viadutos, dormem,
nas ruas, em
qualquer canto,
por jornais,
cobertos, tremendo
de frio.
São homens,
mulheres e
crianças,
de tudo na vida,
desprovidos,
seres humanos
maltratados e
pela sua própria
condição,
humilhados.
Pelo destino que
tudo lhes negou,
marcados.
É a miséria humana
no seio da
sociedade
alternativa,
ativa, latente,
expondo sua dor.
Pelo horror da
fome, no corpo,
marcados,
esqueletos
ambulantes,
herdeiros do nada.
E não quer calar,
no ser pensante,
a prosaica
pergunta:
-Até quando?
Data: 23 / 09 / 03

Ânsia de Viver
Meu tempo, não tem
tempo
de esperar por ti.
Por ti que, só
enganos, somou
aos meus
desenganos.
A noite fria já
não tem mais lua
E eu amor, já não
sou mais tua.
Meu corpo hoje, se
aquece em outros
braços
e, é por isso que
rompo todos os
laços
com o tempo
passado,
que nunca teve
tempo para mim.
Cansei de esperar
pelo vinho
que depois de
feito,
já não fazia mais
efeito em mim.
Cansei do dia, da
noite,
da vida vazia
que se apoderou de
mim.
Perdoe amor, os
meus desencantos,
mas hoje só canto,
a alegria de
viver.
Viver o amor, sem
pranto,
com outro amor no
meu canto,
cantando pra eu
dormir!
Data: 25/ 04/ 03
 
CÂNDIDO PINHEIRO
***
Viagem da Alma
Sulcos em tua
face, marcas do
passado que no
presente não
entendes
São giros e
reviravoltas de
uma história que
você passou
É a rotina
angustiante deste
teu sol que nunca
raiou
Nebulosas dúvidas
de conflitos
interiores, são
temores, nunca
flores
Noites em que a
lua não aparece e
de breu a
esperança se veste
Inquieta alma em
teu peito
estremece, falta
coragem para alçar
o vôo
São vidas passadas
aos olhos do
agora, identidade
do hoje jogada
fora
Mergulhas a buscar
no âmago de teu
ser, respostas
deste atroz
destino
Machucas-te sem
saberes os
porquês, bom seria
se não fosse
verdade
Em qualquer idade
esta ferida sangra
quando no espelho
não vês teu rosto
São desgostos de
gostares muito e
nem um pouco
estares contigo
Nestes labirintos
é cansativa a
caminhada, são
esquinas sem
chegadas
É andar ao passo
sem avançar,
momentos perdidos
aos dedos escapam
Vida volátil nas
mãos evapora, é o
fim de um dia mais
uma vez indo
embora
Mesmo com todos os
desencontros e
desencantos de
outrora
Não desanimes e
enfrente sempre,
não lamentes se em
vão o dia passou
Sigas tua
caminhada a regar
com otimismo a
semente dos tempos
Pois esta brota e
verte de dentro da
gente em cada novo
amanhecer
Basta regá-la para
florescer e estará
com você num
momento crescente
Em que a tua força
e vontade é Deus
onipotente em sua
divina bondade
Tente mais uma
vez, não pare de
lutar nem tampouco
de perdoar
E verás que a
vitória muitas
vezes é fruto da
perseverança
Prêmio àqueles que
nunca perderam as
esperanças
E quando o destino
relampejar nos
céus, teus olhos
irão te ver
Podes crer no
milagre dos anjos,
são asas que irão
te alcançar
E te levarão além
de todos os
horizontes, onde
verás a tua fronte
Em frente a ti
enxergarás o teu
próprio retrato
O de antes em
preto e branco no
agora em todas as
cores
Acredite no que
verás e sentirás
tuas belas formas
Pois dentro de
você estarão todas
as respostas
É a essência de
teu próprio ser,
tua alma sedenta
de você
Marque encontro
contigo mesma e te
sentirás em teu
interior
E viverás em um
único momento,
todas as passagens
Esta é a hora, o
instante de fechar
os olhos e teu
corpo fenecer
O piscar desse dia
é um clarão
reluzente em todas
as dimensões
É a viagem da alma
em busca de uma
nova morada
É um lindo brilho
alado vencendo o
vento e a luz do
tempo
E sejam quais
forem as paragens,
em outro peito irá
resplandecer...
05 Março 2004 -
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Andarilho
Vida bendita, às
vezes maldita por
outras atrevida
Caminhos paralelos
não se cruzam em
nenhum segundo
Tempo escasso e
sem espaço de ter
você em meus
braços
Vontade de mudar o
instante ou
revirar o mundo
Largando tudo para
ser inconseqüente
ou talvez
vagabundo
E seguir o caminho
do sol em céu
aberto, ao teu
encontro
Cabelos
desalinhados,
soltos aos ombros
e ao vento
Calça jeans
desbotada e um
relógio maneiro da
hora
Teu corpo fino e
esbelto pede
passagem em meu
pensamento
Detalhes da
miragem de tua
imagem em frente
ao espelho
Tenho dúvidas se
fostes embora ou
se nunca chegastes
Minha certeza é
não ter dúvidas de
que ainda te amo
Vou seguir minha
estrada...Mochila
nas costas...
Pés descalços para
idas em frente
Até mesmo porque
atrás sempre vem
gente
Pena não ser a
gente que a gente
quer
Gente que fosse
você, minha
miragem de mulher
Andarilho sem
fronteiras e
rompendo barreiras
Vou assobiando
Jonh Lennon, de
sul a norte
Não sou hippie
muito menos um dos
beatles
Sou apenas um
jovem romântico,
sem destino
A procura de um
amor aventureiro,
sem passaporte
Mas que teima em
amar a miragem do
espelho
Vida mundana sem
Anas, nem Joanas...
Até onde perdido
de amor, vou andar
nesta estrada?...
São montanhas
vencidas, muitas
curvas e descidas
São faróis, luzes
altas e buzinas em
idas e vindas
Meus olhos te
procuram em todos
os espaços
No vazio eu não te
acho, mas eu hei
de te encontrar...
Nem que estejas
refletida, no
espelho de algum
lago
E contigo em amor
irei banhar-me,
até mesmo se fores
miragem
Pois tenho
dúvidas, se fostes
embora ou se nunca
chegastes
Minha certeza é
não ter dúvidas de
que ainda te amo
E assim... somente
assim terminarei
minha viagem
25 janeiro 2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Doce Pecado
(Para Simone Borba
Pinheiro)
Encanto de sereia
em teus olhos
Em piscar sedutor
e sensual
Tua face rubra e
suada
Com vontade de
amar sem igual
Vermelho em tua
boca
Provocante cor do
amor
Aveludados lábios
de mel
Gosto de veneno
doce e torpor
Colo macio e
atraente
Seios de rara
beleza
Tentação de
maliciosas
carícias
Em tua pele de
alva pureza
Companheira de
desejos e
fantasias
Amante de
incansável sedução
Amor de Afrodite
em teu corpo
Ventre em êxtase
como vulcão
Sinuosas curvas em
tuas coxas
Convite de viagens
ao calor
Em teu corpo a
estação do amor
Chego em beijos
molhados de suor
Em você mulher
Selvagem felina do
amor
Sou corpo único ao
teu
Em clímax de
êxtase e furor
De beleza
incomparável
A mais bela das
maravilhas
Encontro em você
mulher
O doce pecado de
minha vida
15 de Janeiro de
2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Força Interior
Bati a porta e com
raiva sai sem
olhar para trás
Desorientada e sem
destino perambulei
pela noite afora
Meu orgulho ferido
era mais forte que
o amor que sentia
A boca que antes
me beijava em
cólera me feriu em
desatino
As mãos que sempre
me acariciaram e
afagaram
Foram as mesmas
que em meu rosto
explodiram
Desconheci você a
partir daquele
instante...você
morreu pra mim
Amargurada e
humilhada em uma
esquina qualquer
do destino
Chorei todos os
oceanos em
lágrimas para
desafogar a minha
tristeza
Pois meu amor por
você foi
incondicionalmente
de corpo e alma
Fui só
tua...simplesmente
nua e crua...
E agora...por você
fui despojada,
enganada...fui
trocada
Olhei para o alto
a procura e não
avistei o Senhor
A cidade
movimentada em
multidões,
parecia-me vazia
Escassas as
esperanças de
voltar um dia a
ser quem eu era
Perdi meu lenço e
os documentos numa
rua qualquer do
tempo
Triste sina de
quem pecou em amar
unicamente por
amar
Mas de repente,
meu coração em
alerta sussurrou:
Eu estou aqui...
..Sou luz divina
de fé, tua Força
Interior!
Eu sou o Senhor
que procuras...
Naquele instante o
mar revolto
tornou-se calmo e
tranqüilo
No rosto as
lágrimas secaram
de um sopro
fraterno
Acolhida por seus
braços,
recostei-me sobre
o seu colo
Suas mãos
acariciaram os
meus cabelos e
mansamente
falou-me:
"Eu moro no seu
coração e quando
precisares de mim
procure-me dentro
de você.
Eu sou o único
capaz de livrar-te
de todos os
infortúnios.
Levanta-te e ergue
tua cabeça, pois
de agora em diante
terás um novo
caminho a
percorrer e, ao
meu tempo,
estarás
eternamente
comigo."
Com novos passos
segui em frente,
para trás apenas a
sombra de meu
corpo, e à frente
nascia no
horizonte um
radiante sol
anunciando que a
cada dia Deus nos
dá a oportunidade
de começar de
novo, recomeçar,
nascer, renascer,
tentar sempre ou
até mesmo sacudir
a poeira e dar a
volta por cima.
24 janeiro 2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Caneta poética
Deslizo suave
sobre as folhas de
outono do papel
Sou dançarina que
insisto em manchar
todas as linhas
E sobre elas
deixar as mais
lindas impressões
São linguagens do
coração em versar
sobre amores
E mesmo com certos
temores vou
saboreando os
sabores
O doce e o amargo
que em outras
folhas já provei
Registro teus
desejos e paixões,
loucuras e
seduções
Vontades que não
cabem no segundo,
pois o vento sopra
o tempo
E a cada momento
deixo escrita uma
página com
saudades
As verdades que
escrevo não
acontecem, são
delírios e ilusões
Tento enganar o
meu caminho e por
isso desalinho
Na ânsia e em
desatino de
iluminar o teu
destino
Sou formosa,
delicada e
elegante
Por isso sou
caminhante de ir e
vir a teus
impulsos
Rabisco e ás vezes
errante, são
deslizes do meu
cansaço
Mas me sinto
protegida no afago
terno dos teus
dedos
Muitos arrepios em
meu corpo no agora
desta hora
Aperte-me junto a
você, pois meu
desejo é ser tua
Desnuda de
vaidades, me
entrego ás tuas
vontades
Faça de mim o que
quiseres e eu
serei os teus
dizeres
Em escritos de
afazeres vou
saciando os teus
prazeres
Sou simples e às
vezes folheada,
tenho todas as
cores
Pois na tinta eu
me tinjo para
enfeitar os teus
poemas
Por isso te peço
que nunca me
jogues fora
Nem tão pouco me
abandones quando
chegar o meu final
Mas, se acaso não
precisares mais de
mim
Deixe-me ao menos
descansar sobre a
tua escrivaninha
E assim à tua
espera estarei,
certa de que irei
encontrá-lo
Sempre que
voltares a
escrever...
14 Fevereiro 2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Encontro das Águas
Por entre as
montanhas ando
escondido em um
vale perdido
Tranqüilo quase
que num cochilo,
mas sempre em
frente
Vou saudoso
levando minhas
águas cristalinas
Às vezes
corredeiras, e
recordando das
cachoeiras que já
passei
Onde em lágrimas
muitos véus de
noivas eu deixei
Lembrando da minha
cabeceira, palco
de amores que
enganei
Leito onde beijei
sinuosas margens e
deixei tatuagens
Cupidas marcas em
ramos que jamais
quebrei
Às vezes sou
caudaloso e com
força um tanto
tenebroso
Mas nada de
furioso, pois sei
que algumas pedras
arranquei
Sem maldades, para
tanto, não tenho
mais idade
Mas às vezes na
cruzada, roubo a
melhor flor de uma
folhagem
Para misturar em
minhas águas o seu
aroma selvagem
Na chuva me
regozijo num
salpicar de gotas
Refrescante
dilúvio para o
calor que sinto
Por vezes meu
dorso anda exposto
ao sol a pino
Em muitas outras
de alegria
transbordo
Transformando em
terra fértil a
tudo o que molho
E nas planícies
por onde escorro,
vou regando as
pastagens
Este verde que me
acolhe quando
deslizo por entre
as matas
Onde meu murmúrio
silencia ante a
sinfonia dos
pássaros
Que em coral de
glória cantam
bravo à minha
passagem
Em muitos braços
me abro, e em
desabafo formo
tentáculos
São muitas outras
margens que abraço
por onde passo
Em rio único volto
ao meu curso e
discurso ao mar a
frente
Estou chegando e
com alegria
anuncio a minha
aproximação
E num doce beijo
molhado a água
fica salgada
Agora sou oceano,
um gigante em
águas
Não ando mais
escondido
por entre as
montanhas em um
vale perdido...
De agora em diante
beijarei todas as
costas
E mansamente em
ondas vou rolar na
areia morna das
praias
Aproveitando a
magia e a beleza
da mãe natureza
Deste fraterno
encontro das águas
26 Janeiro 2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Caminhos e Sonhos
Muitos caminhos se
encontram nas
encruzilhadas do
destino
Alguns se quebram
nas dobras das
esquinas, são
quinas da vida
Outros próximos e
ao lado não se
cruzam, são
paralelos e não se
tocam
Todos são estradas
viajantes, onde
diversos
obstáculos
encontramos
Às vezes
pedregulhos ou
entulhos desafiam
nossa passagem
Alguns são
vencidos e outros
contornados, são
pedras da
caminhada
Muitos são
deixados à beira
da estrada, não
vêm ao caso
Outros quem sabe
chamados carmas
são levados como
cruzes pela vida
afora
E na poeira que se
levanta há uma
imagem em face de
sacrifícios
Pois nem a chuva
que refresca nosso
corpo e que
alimenta o sedento
chão
É capaz de apagar
as marcas que
ficam de nossos
passos
Estes são marcados
por um suor
derramado ao
trilhar da viagem
São gotas que
tingimos os
desenhos e
escritos nas
páginas do tempo
E no calendário
dos anos vamos
riscando os dias
passados
Deixando ao longo
das primaveras o
mais puro cheiro
de existência
Um aroma de nossa
essência, perfume
que identifica
nossas pegadas
Muitas são as
sementes de sonhos
que jogamos nos
caminhos de
outrora
Algumas são
desprezadas e
esquecidas a beira
dos passos
Relegadas à
própria sorte ou
ao tempo, às vezes
vingam e afloram
Outras por
interesse
plantamos e nas
margens das águas
cultivamos
Nem sempre rompem
a rigidez do solo,
nem ao sol forte
vencem
Pois não basta
apenas plantar nem
tampouco esperar
crescer
É preciso preparar
a terra e adubar
com carinho para
florescer
Pois não existe
terra fértil se o
coração for
estéril, não
adianta apenas
desejar
É preciso querer e
fazer acontecer, é
necessário amor
para água chover
Nossas pegadas são
sementes, os
caminhos são
terras que pisamos
Sonhos nos levam a
muitos lugares e o
chão percorrido a
muitas chegadas
Onde em muitas
vezes nos
encontramos num
instante sonhador
Pois paramos o
tempo e
descansamos ao
colo do amor
E sem temor
continuamos
arriscando a
caminhada na
incerteza da
escolha
Do continuar
retilíneo nossa
jornada ou seguir
um tortuoso
caminho
São peças de um
inesperado destino
ou coincidências
da vida
Podem ser ou não
enganos, pois
existem muitas
trilhas
Da paixão ao amor
eterno há uma
distância de
sentimentos
Em que um é o fogo
alucinante do
corpo e da mente
E o outro é o
bater profundo de
um coração sereno
em eterno momento
Mas no final, sem
dúvidas, existe
uma linda árvore
frondosa,
Majestosa em
sombra acolhedora
e refrescante, à
nossa espera
É o fim da
jornada, nosso
recanto derradeiro
e de íntima
reflexão
De olhar para trás
e percorrer em
pensamento tudo o
que foi viajado
Vivenciar a dúvida
se o caminho
escolhido e
percorrido era
nosso ou de outrem
Neste momento não
adianta mais nada,
pois somos o
resultado de
nossas escolhas
Pouco ou muito
interessa se a
direção tomada não
tenha sido
acertada
E se as sementes
que ao longo não
germinaram foram
apenas sonhos
sonhados
Pode ser que
aconteça um
arrepender daquilo
que não se fez
Ou talvez de
alguns feitos
indevidos, frutos
impulsivos de
vontades
incontidas
Pouco importa, não
há mais hora para
andar, nem mesmo
nenhum passo à dar
Apenas esperar e
descansar a sombra
dos braços da
árvore frondosa
Este é o final do
caminho, uma
triste ou alegre
chegada
Não há mais
partida para novos
sonhos, pois o
nosso tempo o
vento levou...
02 Maio 2004
Santa Maria - RS -
Brasil
kandido@brturbo.com

Parquinho da Mamãe
(Homenagem a
Jacira Cardoso)
Aconchego gostoso,
só meu... todinho
meu
Parquinho que
brinco e reviro
brinquedos
Não tem caixa de
areia,
Mas invento mil
maneiras de
brincar
Tudo é do meu
jeito, giro e
balanço
Chuto, canso e
descanso comigo
mesmo
E ao carinho me
aninho, quietinho
para dormir
Sem horas para
passar, pois
acordo quando
quero
Não há despertador
que me incomode
Deliciosas férias
dentro de você
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