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DISTÂNCIA
ENTRE
NÓS
Sandra
Fayad
Há uma
distância
entre
tu e
eu
Que
não se
mede
em
quilômetros
Ou
horas
que o
carro
percorreu.
Tão
pouco
é
medida
em
centímetros
Ou
segundos
que o
atleta
venceu.
Entre
nós a
distância
é de
valores
Limitada
por
barreiras
invisíveis.
Tem
diferentes
formas
de
amores
Palavras
há
tempos
inconcebíveis
Com
sons
ruidosos
e
novas
cores.
Para
ti
distante
é o
tempo
futuro.
Meu
presente
faz
parte
do
passado.
Entre
ambos
ergueste
um
muro,
E
segues
apenas
de um
lado
Mais
veloz,
porém
menos
seguro.
Nos
auto-serviços
vais
com
afã.
Queres
bigs,
fanta
MAIS
quarteirões.
Tua
linguagem
me
parece
anã,
Mas
sigo à
risca
tuas
orientações,
E da
janela
caem
tortas
de
maçã.
Ainda
com o
carro
em
movimento
Desembrulhas
tudo
com
facilidade.
Abocanhas
pão
sovado,
regas
condimento,
E
enquanto
percorremos
a
cidade,
Comes
fritas
e
refri
vais
sorvendo.
Fascinada
com
tudo
na
verdade,
Percebo
como é
difícil
alcançar-te,
Mas
mantenho
a pose
típica
da
minha
idade
E
decido
ainda
aconselhar-te:
-Come
devagar,
para
melhor
digestibilidade.
(Diplomada
com o
título
“Fanta+Quarteirão”,
pela
classificação
com
louvores,
na
Categoria
“Consagrados”,
da III
Olimpíada
Cultural
-500
anos
da
Língua
Portuguesa
no
Brasil,
1º
semestre)
de
2006).

A MUSA
E O
PAR
Sandra
Fayad
Essa
loucura
que
nos
domina
É
prenda
que a
vida
oferece.
Onde
estamos,
para
onde
vamos?
Nada
interfere
no que
acontece.
Os
sonhos
são
suaves,
úmidos.
Os
ventos
sopram
na
mesma
direção.
Os
dedos
catam
letras
de
amor
Para
compor
as
frases
da
canção.
No teu
céu
que é
meu
também
Estrelas
caminham
com as
nuvens,
Anjos
dançam
e
cantam
amém.
.
Há um
ponto
definido
no
universo
Onde
serei
única
musa
do teu
poemeto
E
serás
único
par
para
meu
dueto.

ACREDITA!
Sandra
Fayad
Enxuga
dos
teus
olhos
em
cartaz
O
sofrimento
por
quem
não te
quer.
Não te
ilude,
meu
rapaz!
Tua
dor
não
tem
causa
em
mulher.
Vem de
dentro,
do teu
pensamento.
Nasce
da tua
ânsia
e
insegurança,
Do
escorregão
que,
em
algum
momento,
Tornou
frágil
e
oscilante
a
esperança.
Afasta
esses
temores
infundados,
Eleva
teus
desejos
ao
trono
do
amor
E
pulveriza
alegria
para
os
lados.
Canta
a
felicidade
de
estar
contigo.
Atenta
para a
suavidade
de uma
flor,
E vem
curtir
uma
balada
comigo.

AINDA
BEM
Sandra
Fayad
Ainda
bem
que há
céu
sobre
nossas
cabeças
E
terra
sob
nossos
pés...
Que
pena
que
vivamos
tão
pouco:
só cem
anos!
E que
muitos
se vão
sem
receber
cafunés
Sem
acreditar
nos
benefícios
dos
cafunés...
Ainda
bem
que
sabemos
que
nada
levamos:
Nem o
que
colhemos,
nem o
que
plantamos.
Apenas
o
cobertor
que
esteve
todo o
tempo
sob
nossos
pés.

AMACIANTE
SENSUAL
Sandra
Fayad
És
centenas
de
fotos
sensuais
Que
enlouquecem
as
mais
belas
musas.
Selecionas
o que
há de
melhor
ti,
Enches
uma
cesta
de
aptidões
pessoais
E te
delicias
de
prazer,
quando
as
usas.
És
milhares
de
imagens
de
lugares
Em
super
produções
de
última
geração,
Cuidadosamente
selecionadas,
A
causar
emoções
espetaculares
Em
momentos
de
grande
comoção.
És
milhões
de
letrinhas
simpáticas
Formando
palavras
e
frases
de
efeito,
A
chorar
por um
amor
perdido,
distante...
Que
fazem
de
tuas
fãs
umas
fanáticas
Na
competição
para
ocupar
o teu
leito.
És
lobo
insaciável,
esperto,
poderoso.
Conheces
bem as
fraquezas
femininas.
Tua
meiguice
tem
pele
de
tartaruga
Sob a
qual
obténs
retorno
generoso
De
milhares
de
‘coroas’
e
meninas.
(Inspirado
no
artista
e
poeta
português
Antonio
Santos,
o Tó)

AMOR
COXO
Sandra
Fayad
Se,
por
insanidade,
eu te
mandasse
embora,
Teria
que
chorar
sozinha
dobradas
lágrimas
E
sorrir
–
solitária
- um
sorriso
chocho.
Se,
por
insensibilidade,
partisses
agora,
Meu
amor
atlético
ficaria
coxo,
E meu
sobrado
desabaria,
tora
por
tora.
Minhas
mãos
vazias
sentiriam
o
calor
das
tuas,
Nos
meus
ouvidos,
tua
voz
sonora
diria:
“Eu Te
Amo”...
a cada
meia
hora.
Mas se
alguém
te
pegasse
de
jeito
E
quisesse
fazer
de ti
a sua
escora,
Aí...
não!
Eu não
compareceria...
Ao teu
bota-fora.
Comentário:
Esta
poesia
descreve
a
relação
de
amor
entre
pessoas
de
origem
idêntica,
mas de
cultura
diferente,
com
característica
de
transitoriedade
(inspirado
em Ali
Haddad).

AMOR
VIRTUAL
Sandra
Fayad
Por
e-mail,
envias
beijo
salival.
Examino
sua
consistência
Para
saber
se
saiu
da tua
boca,
Se
criaste
um
wink
original,
Ou se
é
ataque
de
virulência.
No
Messenger
te
vejo
on-line.
Exploro
detalhes
da tua
imagem,
Dedilho
o
teclado,
movo o
mouse.
Comparo
com
tuas
palavras.
Aproveito
enquanto
não me
fitas
E peço
que me
aguardes.
Pause!
Prossigo
em
nova
checagem.
Clico
no teu
cartão
de
visitas,
Elimino
hipóteses,
por
amostragem.
Detetive,
paranormal
ou
guardiã,
Ainda
pergunto
se
tens
tatuagem.
Aceito
ligarmos
a web
cam.
Agora
sim!
Pareces
real...
Mas
ainda
pode
ser
montagem...
Comparo
com
fotos
anteriores:
Convencem!
Há
semelhança.
Por
fim,
chamas
pelo
Skype.
Já
sinto
mais
segurança.
Voz
coerente
com as
imagens,
Com
certeza
do
mesmo
naipe.
Se é
que
não
são
dublagens...
Sonolenta,
me
pergunto:
Será
que
são
miragens?
(Todos
os
dias
os
noticiários
dão
conta
de
enganadores
e
novas
formas
de
enganar
usuários
na
Net. A
paquera
virtual
é o
alvo
mais
vulnerável.
A
poesia
mostra
alguns
recursos
disponíveis
para
não
cair
nos
golpes.)

Amores
Virtuais
Sandra
Fayad
Imagino-te
sensual,
sensível,
carente
De
cada
vez
mais
amor,
mais e
mais...
Pela
beleza,
és
eternamente
apaixonado.
Pela
paz,
guerreiro
irreverente,
Portando
bandeiras
das
causas
sociais.
É, sem
dúvida,
o amor
teu
ponto
forte.
Aquele
que se
foi,
tirando-te
a paz,
Deixando-te
sem
porto,
sem um
norte.
Ah, se
me
coubesse,
se eu
fosse
capaz
De
matar
essa
bactéria
que te
conduz
à
morte,
Tornar-me-ia
tua
amada
deusa...
em
cartaz.
Bsb,
20/02/2007
(Inspirada
no
blog
do
poeta
português
To;
participou
da
Ciranda
com o
mesmo
título).

ARTESÃ
Sandra
Fayad
Nem
sabes
o
estrago
que
fazes
no meu
coração!
Meus
olhos
(tristes)
sorriem
à tua
imagem.
Nos
meus
sonhos,
és
constante
perseguição.
Do meu
filme,
és o
principal
personagem.
Vejo-te
sempre
e tão
bem
iluminado
Em
cada
canto
da
face
nua
exposta,
Ofertando
sorridente
cada
bocado
Da
beleza
descoberta
em
cada
encosta.
As
tentativas
de
fugir
de ti
são
vãs...
Como
um imã
de
pronto
me
atrais
de
volta
Para
mais
um
soneto
da
minh'alma
artesã.
Mesmo
que
atrás
de ti
haja
forte
escolta,
Não
perco
a
esperança
de
apaixonada
fã
E
armo-me
das
letras
para a
reviravolta.

CRUZADA
INSETICIDA:
PAZ
Sandra
Fayad
Palavra
de
ordem
nos
tempos
atuais,
PAZ é
o que
o povo
comum
quer
sentir.
Tantas
dores
injustamente
planejadas,
expostas
Em
regiões,
metrôs,
aviões,
arraiais,
Com
mísseis
e
bombas
arrasando
a vida
Destruída
sem
perguntas
ou
respostas.
Palavra
suave,
em
versos,
saudada;
Cantada
em
templos,
há
muito
desejada
Não
chega,
porque
dela
não
fazem
caso
Os que
lançam
pessoas
na
roleta
russa
E em
milhares
atiram
por
sorteio,
ao
acaso.
Palavra
presente
em
inúmeros
relatórios,
Proposta
objeto
de
fóruns
internacionais,
Em
mesas
de
gente
com
poderes
decisórios
Que
nada
concluem
para
viabilizá-la,
Porque
ali só
se
exibem
credenciais.
Palavra
lucrativa
essa
tal de
PAZ.
Vende
ilusões
de
sistemas
democráticos,
Falsas
verdades,
supostas
liberdades...
Em seu
nome
se
mata
cada
vez
mais,
Arrasam
cidades,
destroem
história,
Desmancham
tudo
como
vendavais.
Não
valem
mais
os dez
mandamentos,
Nem
“amai
ao
próximo
como a
ti
mesmo”.
Querem
desobedecer
ao
Corão
E do
Bagvata
Guita
os
ensinamentos,
Venerando
Fortuna
e
Poder,
em
oração.
Poetas,
através
dos
nossos
versos
Conclamemos
toda a
gente
sofrida
Da
terra,
nos
pontos
mais
diversos
Para,
numa
grande
cruzada
inseticida,
Detetizar
os
inimigos
da
VIDA.

CANDANGA
Sandra
Fayad
Para
quem
não
sabe
ou não
se
lembra,
Brasília
só tem
duas
estações.
De
Outubro
a Maio
- que
maravilha!
Nuvens
escuras
caminham
no céu
constantemente
à cata
de
galhos
secos
e
terra
nua
Para
semear,
em
cada
lugar,
um
verde
diferente.
Previsões
metereológicas
Só
funcionam
as
gerais;
Nem
tente
prever
as
locais.
É que
sob o
Sol
escaldante
-
Veja!
Ali
adiante...
está
chovendo
demais...
Depois
chega
o
clima
de
deserto
para
dominar
o
cenário,
impondo
a tudo
seus
tons
marrons.
Não
tema!
Prepare,
ao ar
livre,
festas
de
aniversário,
casamentos
ou
quaisquer
outros
eventos.
Sobretudo,
aprecie
a
beleza
que
vem do
horizonte.
Acorde
cedo -
veja o
espetáculo
do sol
nascendo
Ou -
mais
tarde
-
desaparecendo
atrás
de um
pequeno
monte,
numa
maravilhosa
mistura
de
cores,
como
se
fora
uma
salada
de
muitos
sabores.

CHEIRO
DE
CAFUNÉ
Sandra
Fayad
Se eu
fosse
uma
estrela
brilhante
no
céu,
Pediria
a Deus
que
perfumasse
cada
ponta
com
cheiro
de
amor.
Se eu
pudesse
brilhar
na
terra,
acesa
de
muito
carinho,
Escreveria
seu
nome
em
letras
encarnadas
Nas
curvas
do meu
caminho.
Se eu
fosse
uma
estrela
cadente-candanga,
Ao
amanhecer
te
convidaria
pra
visitar
o
Parque
Nacional.
Vamos
caminhar
nas
trilhas
de
verde
degradê,
sem
pressa
e em
silêncio
- com
passos
de
cristal
-
Pra
não
assustar
a
fauna
em seu
ninho,
Enquanto
o sol
mesclado
de
azul-dourado
vai se
escondendo
no
crepúsculo
do
cerrado,
A
contrastar
com a
lua
branca
despontando
do
outro
lado.
A paz
da
noite
chegando
de
mansinho
Tem
cheiro
de
cafuné
sem
pressa.
É hora
de
voltar
pra
casa,
Pois
agora
o Lobo
Guará
virá
caçar.
É
melhor
ficar
no
sofá
bem
juntinhos,
Ouvindo
Roberto
Carlos
cantar:
"Eu
sou
aquele
amante
à moda
antiga,
daqueles
que
ainda
mandam
flores..."
E na
madrugada
pálida
e
fria,
Róseas
taças
de
vinho
nos
farão
levitar
Abraçados
no
embalo
da
canção.
Dos
beijos
ardentes
prateados
E da
mistura
dos
nosso
corpos
trançados,
Como
as
ramas
do
canteiro
de
poejo,
Entraremos
num
filme
dos
anos
dourados
Para
sair
do
outro
lado
Saciados
do
nosso
desejo.
(Nota:
A
expressão
"cheiro
de
cafuné"
é
criação
do meu
amigo
Alexandre
Fejes.)
10/12/2005)

CHURRASCO
NA
LAJE
Sandra
Fayad
Em
meados
de
setembro,
Professores
do
Candanguinho
Conheceram
a laje
da
Taty,
Em seu
novo
sobradinho.
Contrataram
churrasqueiro,
Que
preparou
tudo
na
hora:
Vinagrete,
arroz
carreteiro,
Mandioca,
um
pouco
de
flora,
Banana,
limão-de-cheiro,
Refri,
cervejinha
e
cachaça.
E tome
carne:
assa!
assa!
Mestres
em
tempo
integral,
Deixam
marcas
indeléveis
Na
formação
do
colegial,
Apurando
seus
sentidos
Para
os
caminhos
do
areal.
Ensinam
História
e
Geografia,
Matemática
e
Redação,
Música
e
Língua
Estrangeira,
Ciências
e
Ortografia.
Empenhados
ainda
estão
Na
abnegada
transmissão
De
valores,
que
acreditam
Existirem
nas
trilhas
invisíveis,
Que do
céu ao
mar
creditam.
Muito
séria
essa
moçada!
Riem
pouco
em seu
tempo.
São
jovens
bem
comportados
No
meio
de um
passatempo.
Belos
homens
e
mulheres
Com a
vida a
desabrochar.
Incansáveis
trabalhadores,
Que
nem
podem
se
permitir
Um
tempo
para
suas
dores.
Reis,
Heróis
e
Sacerdotes
Loucos,
Crápulas
e
Torturadores
Artistas,
Anônimos
e
Caças-Dotes
Mendigos,
Serviçais
e
Doutores
Mães e
Pais
Zelosos...
ou
Ausentes.
Todos
têm,
em sua
história,
relatos
Com um
professor
presente.
Por
ocasião
da
reforma
da
casa,
a Taty
fêz um
terraço
a céu
aberto,
que
chamou
de
laje,
porque
ainda
não
havia
estrutura
de
lazer,
além
do
piso
em
cimento
grosso.
Para
inaugurá-lo,
convidou
os
colegas
professores,
que se
cotizaram
e
alugaram
tudo.
Enquanto
a
festa
rolava,
fiz a
poesia,
que
foi
lida
por
uma
das
professoras
e
levada
para
ser
afixada
no
mural
da
escola).
17.09.2006

DE
OLHO
NA
ESTRELA
GUIA
Sandra
Fayad
Abraços
efusivos,
Sorrisos,
alegria,
Fogos,
muito
brilho,
Encontros,
emoções...
Glamour
que se
repete
Ou se
cria
Simultaneamente,
Na
festa
de
bilhões.
Há
tantos
que
comemoram
Em
perfeita
sintonia.
Braços
estendidos
Por
todas
as
nações
Na
data
histórica,
Que
assinala
a
travessia
Eleita
pela
cristandade
Para
as
suas
relações.
Mando
mensagens,
Atendo
ligações,
Compro
presentes,
Programo
viagens,
Embarco
na
sinfonia
Dos
bons
remetentes.
Envio-te
um
abraço
Com
muita
euforia,
E
desejo
que
dia-a-dia
Melhores
teu
cadastro,
Obtenhas
vantagens
E
sigas
saudável
De
olho
no
rastro
Da
estrela
guia.
(Formatada
e
declamada
por
Celso
Brasil,
Diretor
Cultural
da
ABRALI-
600
audições/leituras-dez/06)
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/audio.php?cod=1674

DOIDEIRA
Sandra
Fayad
Meus
pensamentos
fazem
trajetória
no
espaço,
Percorrem
ruas e
avenidas
da
cidade,
Sobrevoam
árvores,
viajam
com os
pássaros,
Seguem
as
rotas
que na
mente
eu
traço.
Nesse
caminho
que te
busco,
Sinto
o frio
cortante
dos
ventos
marítimos
E o
calor
ardente
das
queimadas
Por
onde
passo...
Meus
sentimentos
brotaram
de
terra
fértil
São
flores
delicadas
em
constante
metamorfose.
Alimentam-se,
noite
e dia,
da
esperança
insana
De
juntar
meu
corpo
ao
teu,
em
perfeita
simbiose,
Numa
superfície
plana
Como
um
cilindro,
pelo
chão a
deslizar...
Embebidos
na
adega
do
prazer
intenso
Até a
última
dose...
Hei de
te
sentir
envolto
nos
mesmos
desejos
ardentes,
Ver-te
agir
como o
mais
irresponsável
dos
mortais...
Solta
essas
amarras!
Quebra
os
elos
que te
prendem!
Vem
sentir
o
sabor
dos
meus
beijos
inconseqüentes,
Que de
ti
dependem!
Experimenta
a
leveza
dessa
doce
loucura!
Troca
de
valores,
substitui
teus
símbolos
por
outros
Diferentes.
Nesse
momento
único
que
será
nosso
Somente.
04/02/2006

DOMINGANDO...NA
W3
Sandra
Fayad
Domingo!
Primavera
de
mais
de
mês,
Calor
que
desanima,
Secura
que
racha
a tez.
É
domingo
solitário,
Que
enfumaça meus
pés
No
asfalto
da W3.
Sol
que
frita
os
miolos,
Têmporas
enxaquecadas,
Olhos
espelhados,
confusos,
Aguados
de
suor,
Nas
faixas
bem
pintadas
De
amarelo.
De
branco,
nuvens
me
olham
Sem
ameaça:
Não
vão se
sujar
de
graxa,
Tão
cedo.
Olho
uma,
outra
e
outra
mais.
Que
horror!
Nenhuma
passa
ou
caminha.
Parecem
dormir
e
sonhar
Com
estrelas
que
não
quero.
Agora
quero
é ver
desabar
Cachoeiras
celestiais
Que
domingo
é
este?
Já é
demais!
Bsb,
28/10/2007

MÃE,
Sandra
Fayad
Quando
te
arrebataram
daqui
Não
era um
tempo
qualquer.
Estavam
meus
dias
sedentos
Da tua
presença,
mulher.
O
susto
me
deixou
atônica
O
vazio
ocupou
todo o
espaço.
Perdi
o
ritmo,
a
direção
e o
prumo
Senti
um
misto
de dor
e
cansaço.
Pressionada
pelo
agressivo
sistema,
Fui
rodopiando
no
rodamoinho
Para
sobreviver
no
novo
esquema..
Hoje
meu
caminho
acaba
em
nada
Na
frustrada
busca
pelo
paraíso
perdido
E
chora
minha
alma,
descompassada.
11/05/2006

MEU
PAI
Sandra
Fayad
Eras
enorme
e
estrondoso
como
um
trovão
A
assustar-nos
em
noites
de
tempestade.
Foste
o
Lobo-Mau
dos
meus
bailes
em
Catalão.
Entravas
em
casa
como
um
soldado
a
marchar,
Pisando
as
flores
que
cobriam
nosso
chão.
Eras
herói
a nos
defender
dos
malvados
parentes
Que,
na tua
ausência,
decidiam
corrigir-nos.
Foste
a
garantia
de que
não
ficaríamos
carentes
Dos
mantimentos
trazidos
em
sacos,
caixas,
tonéis,
Que
entregavas
à
mamãe
como
se
fossem
presentes.
Eras
temido
por
crianças,
amigas,
namorados.
Ao
sinal
da tua
presença,
todos
desapareciam.
Foste
o
carrasco
dos
nossos
programas
animados,
Das
nossas
gargalhadas
estridentes
e
espontâneas,
Que
escondíamos
para
não
ser
castigados.
Eras
mais
forte
e
corajoso
que um
touro
na
arena.
Enfrentavas
o
tempo
e
peso,
a
distância,
homens
e
feras.
Foste
um
semideus
na
nossa
infância
terrena.
A
segurança
da tua
proteção
nos
encorajava
Às
traquinagens,
que
agitavam
a
cidade
serena.
Hoje
te
vejo
assim
miúdo,
indefeso,
fragilizado.
Dói-me
a
humildade
que te
desejava
outrora.
Brotam-me
lágrimas
ao teu
olhar
molhado.
Cansam-me
os
braços
amparar-te
os
passos.
Arde-me
o
desejo
pelo
teu
jeito
estourado.
Teus
noventa
anos
te dão
todo o
direito:
Relata
a
qualquer
um
tuas
vitórias
e
derrotas.
Teu
futuro
é a
tua
história
contada
do teu
jeito.
Tuas
testemunhas
são os
amigos
que
renascem
nos
sonhos
E te
despertam,
minimizando
a dor
que
sentes
no
peito.
Doente,
cansado...
01/09/2005
23:33

PRÉ-
VERÃO
Sandra
Fayad
Na
velocidade
máxima,
o
ventilador
Faz
cócegas
no meu
corpo
ardente.
No
insuportável
desconforto
do
leito
Me
desalinhado
no
ninho
de
calor.
– Ai,
que ar
quente!
No
limite
mínimo
da
capacidade,
Pulmões,
em
descomunal
esforço,
Sem
forças,
de O2
sentem
saudade,
Querem
gotas
brotando
do ar.
- Cadê
um
poço?
Já
choveu
no
começo
da
primavera,
Até
antes
disso
escorreram
veios
do céu
No
Planalto
Central
do
Brasil,
Desnudando
nuvens
de
cinza
véu.
Bons
tempos!
Chove
agora
no fim
de
outubro.
Graças
a
Deus!
Ainda
bem
que
chove...
Chuva
rápida,
esporádica,
ansiada.
É
tira-gosto:
chega
às
oito,
sai às
nove.
Será
que
volta?
Quando
o
Planeta
acabou
em
águas,
Deus
conversou
com
Noé, o
Profeta.
Com
informação
privilegiada,
Matrizes
espertamente
saíram
da
reta.
Que
sorte!
Se
Deus
eleger
outro
premiado
agora,
Bem
que
poderia
me dar
uma
chance
De não
ficar
esturricada
como
tamanduá.
Quem
sabe
ofereço
um bom
lance...
Pra
não
cair
no
inferno?
Chega
da
secura
do
inverno!
Quero
primavera
molhada,
Quero
chuvas
de
pré-verão,
Quero
cheiro
de
terra
aguada!
Vazão!
(Dedicada
aos
moradores
do
Planalto
Central
do
Brasil,
Bsb,
21/10/2007)

POESIA
Sandra
Fayad
Endireitei
o
corpo
dolorido
na
cadeira
Para
catar
as
letras
com a
mão
esquerda
E
participar
(nem
que eu
seja a
derradeira).
Não
quero
alimentar
sentimento
de
perda,
Quando
o
Lemberg
a
ciranda
encerrar,
Lotada
de
Poetas
com
garantido
assento.
Ali
também
eu
quero
poder
me
olhar.
E
enquanto
a
direita
fica a
repousar,
Aproveito
a
limitação
deste
momento
Para o
outro
lado
do
cérebro
atiçar.
Poesia!
Poesia!
Tantas
vezes
homenageada,
tens
ainda
o
direito
De
pedir-me
que
busque
sob o
firmamento
Um
perfumado
buquê
de
amor-perfeito,
Em
recompensa
por
teu
milenar
alento.
Poesia!
Poesia!
É só
nos
teus
braços
que me
deleito
Na
criatividade,
que me
torna
gigante.
Neles,
me
aninho,
durmo
o sono
perfeito
Para
versejar
sob
teu
manto
acariciante.
Poesia!
Poesia!
Estás
em mim
e
sempre
te
acercas.
És das
psicólogas,
a mais
competente.
Meus
projetos,
tu os
aguças,
estercas.
Meu
futuro?
Tu o
mostras
evidente.
Poesia!
Poesia!
És meu
consolo,
companheira
extasiante
Que me
cativa,
me
possui
e me
domina.
Aprisionas-me
com
grades
de
ouro
maciço
E me
escraviza
em
trono
de
diamantes.

PLANALTO
CENTRAL
- QUEM
SOU
Sandra
Fayad
Sou
rebento
de
parto
normal
Sob
árvores
secas
contorcidas.
Cortaram
meu
cordão
umbilical
Com
duras
folhas
verdes
afiadas
Pelo
sol
ardente
do planalto
central.
Cresci
olhando
de
perto
o azul
do céu
Repleto
de
pássaros
em
revoada,
Formando
aqui e
ali um
anel
Com o
piar
alegre
de
coral
afinado.
Colhi
frutos
dos
pés
nas
estações
Sem
subir
ao
último
degrau.
Deitei-me
na
relva
macia
do
cerrado,
E
sonhei
com um
planeta
fraternal.
Corri
mundo
a
partir
do meu
chão
À
procura
de algo
fenomenal.
Encontrei
as
pedras
de
Atenas,
Caminhei
ao
longo
do
litoral,
Vi cachoeiras
e até
os
Andes
Descortinar
um
lindo
visual.
Voei
sobre
o
Pacífico
e o
Atlântico.
De
barco,
fui de
um ao
outro lado.
Ouvi
Jazz,
Country
e som
Romântico.
Assisti
de
evento
a
grande
festival.
Mas
voltei
sempre
ao meu
rincão
Para
encontrar
o meu
referencial.
Aqui onde
dei
os primeiros
passos,
Onde
abri e
fecharei
os
olhos,
Senti o
coração
de
amor
inundar
Entre
batimentos
e
descompassos.
Trabalhei
árduo
para
me
sustentar
E
recebi
carinhosos
abraços.
Vivi
meus
melhores
momentos,
Criei
vínculos
indissolúveis,
Parâmetros
e
fundamentos.
Aprendi que
os
tons
da felicidade
Tem as
multicores
destes
ventos,
Assoprados
pela
divindade.
(Esta
é uma
poesia
com
informações
geográficas
e
históricas,
onde
descrevo
um
pouco
da
minha
trajetória.
Participou
da
Ciranda
poética
“Quem
sou”).
BSBDF,
02122006

RAINHA
DO
CERRADO
Sandra
Fayad
Sou
árvore
de
raiz
profunda.
-
Primogênita
da
valentia.
Meus
galhos
finos
contorcidos
Enfrentam
ventos
com
galhardia.
Sou
rainha
gerada
no
cerrado.
-
Nascida
na
seca
do
inverno,
Crescida
no
aguaceiro
do
verão
Sem
apelar
ao
Padre
Eterno.
Vem
ser
meu
ipê da
primavera,
A
pintar
de
roxo,
rosa e
amarelo,
Esse
amor
que já
foi
quimera.
Acredita
na
paixão
que te
revelo.
Liberta-me
da
maldita
espera
E
acorrenta-me
a ti,
elo
por
elo.
(Soneto
inédito,
inspirado
nos
Ipês
do
Planalto
Central
do
Brasil)

SEM
VOCÊ
(com
sete
ervas)
Sandra
Fayad
Sem
você,
sou
galho
de
arruda murcha,
Que
não
protege
de mal
olhado,
Nem
afasta
despacho
na
encruzilhada
Ou
feitiço
amarrado
por
uma
bruxa.
Mas se
você
vem,
comigo-ninguém-pode,
Mesmo
que a
tempestade
impiedosa,
Ameace
projetos
e
deixe
seqüela..
Na sua
ausência,
para
irmos
ao
pagode,
Os caminhos
não se
abrem
E o
alecrim
se
descabela.
Mas se
você
chega,
mesmo
na
tigela,
A capuchinha
se põe
mais
bela,
O
manjericão
perfuma
tudo o
que
pode,
Arroxeando
de
vergonha
a
alfavaca
donzela..
Sem
você a
espada
de São
Jorge
Não
atravessa
nenhuma
pinguela,
Nem
aqui
em
Brasília,
nem na
Guiné.
Mas se
você
aparece
na
minha
janela,
A
pimenteira
até
combina
com
café,
E meu
sorriso
grita
feliz:
Alevante
o
trinco
da
cancela!

EM
BUSCA
DO
ELDORADO
Sandra
Fayad
Crendices
e
temores
contestados
pela
Física
Quântica
Vida
que se
descortina
mais
prática,
menos
romântica
Avançam
todos
os
dias
as
comunicações
e a
ciência
Arrancam
nossas
raízes,
sugam
do
tronco
a
essência.
Nunca
fomos
tão
almas
penadas,
vagando...
Queremos
estabelecer
padrões
de
referência
Mas
nem
conseguimos
suprir
nossa
carência
Que
deriva
pacífica
na
tempestade
atlântica.
Aceleram-se
os
motores
turbinados
da
semântica
Em
direção
a um
planeta
totalmente
clonado.
(Forma
poética
criada
pelo
poeta
português
Fernando
Oliveira,
o
Ferool:
"...o
poema
síntipo
é
composto,
de: um
título,
mais
duas
quadras
e um
verso
para
arrematar,
que
deve
rimar
com o
título,
assim
como
um
verso
solto
que
não
rime
com o
tema,
mas
que
lhe
siga
os
contornos.
As
duas
quadras
devem
rimar:
a
primeira
em
decrescendo
e, a
segunda
em
crescendo,
os
versos
rimados
devem
ter a
mesma
energia
fónica,
de
preferência
com
rimas
ricas.
O
verso
solto
sem
rima
prefigura
a base
do
poema,
quando
este é
escrito
numa
folha
e esta
é
dobrada
em
duas
partes,
verificarão
que
todos
os
versos
casam
perfeitamente
em
termos
de
rimaria.
..”)

SOLIDÃO
Sandra
Fayad
São
melhores
conselheiros
Os
momentos
de
solidão.
É
quando
caminho
comigo
mesma
Que
encontro
a
minha
direção,
Que
colho
frutos
e
flores
no
caminho,
Que
distingo
as
cores
do
arco-íris.
É ali
que me
sinto
como
de
fato
sou,
Que me
dispo
das
representações,
Criadas
por
inúmeras
regras
ou
Vestidas
de
variadas
obrigações.
Bendita
seja a
solidão!
Companheira
educada
e
silenciosa,
Adversária
da
falsa
ilusão,
Misteriosa
para
os que
a
desprezam.
Imbatível,
no
ponto
mais
íntimo,
penetra,
Para,
sem
disfarces,
revelar
nua e
crua,
A
nossa
verdade
secreta.
Bsb,
04.02.2007
 |